segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Febre Amarela – O que a escola precisa saber?


Febre Amarela – O que a escola precisa saber?


A febre amarela é uma doença infecciosa febril, aguda, causada por um arbovírus (vírus transmitidos por mosquitos), que possui duas formas distintas de transmissão: silvestre e urbana.
A transmissão urbana é de maior importância epidemiológica, devido a sua gravidade clínica e elevado potencial de disseminação em áreas urbanas infestadas por Aedes aegypti. Sua incidência se restringe à América Central, América do Sul e África.

Como surgiu a febre amarela?
Estudos genéticos demonstraram que esse vírus surgiu na África, há cerca de três mil anos e chegou no Brasil  nos navios que traziam escravos para trabalhar nas minas e na lavoura, numa época em que as cidades não dispunham de saneamento básico e estavam infestadas de mosquitos.
O resultado desse encontro do vírus da febre amarela com os mosquitos urbanos trouxe trágicas consequências para a saúde da população.




Qual a diferença da febre amarela urbana e silvestre?
Do ponto de vista etiológico, clínico, imunológico e fisiopatológico, a doença é a mesma nos dois ciclos (silvestre e urbano).
No ciclo silvestre da febre amarela, os primatas não humanos (macacos) são os principais hospedeiros e disseminadores do vírus, e os vetores são mosquitos com hábitos estritamente silvestres, sendo os gêneros Haemagogus e Sabethes os mais importantes na América Latina. Nesse ciclo, o homem participa como um hospedeiro acidental ao adentrar áreas de mata.
No ciclo urbano, o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica e a transmissão ocorre a partir do vetor urbano infectado, o Aedes aegypti, o mesmo da Dengue, Chikungunya e a Zika. A febre amarela não é transmitida de pessoa para pessoa. Veja figura abaixo:
Fonte: Ministério da Saúde
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O que o vírus da febre amarela pode causar?
Segundo Nota Técnica publicada pela Sociedade de Pediatria de São Paulo, o vírus da febre amarela tem como características o viscerotropismo, que é capacidade de infectar e lesar o fígado, baço, rins e o coração e o neurotropismo, que é a capacidade de infectar e lesar o parênquima cerebral e causar encefalite.

Como é transmitida a febre amarela para o homem?
O vírus da febre amarela é transmitido para o homem através da picada do mosquito (espécies Aedes ou Haemagogus) que esteja infectado.
Após ser introduzido no homem pela picada, o vírus inicia sua replicação nas células da pele, espalhando-se pelos canais linfáticos aos linfonodos e daí para os órgãos do corpo através da circulação do sangue.
Os mosquitos adquirem o vírus ao picar primatas humanos (macacos) e não humanos infectados, durante a fase virêmica (esta fase dura em média 3 a 6 dias, tendo seu início imediatamente antes dos primeiros sintomas e persistindo por aproximadamente 5 dias).
(...)
 
Quais são os sinais e sintomas da febre amarela?
Os sintomas da febre amarela são muito variáveis. Podem ser leves a ponto de serem confundidos com os de uma virose simples e regredir espontaneamente, ou podem evoluir para complicações graves e até a morte.
Os sintomas são:
  • Febre com calafrios,
  • Dores musculares em todo o corpo, principalmente nas costas,
  • Dor de cabeça,
  • Perda de apetite,
  • Náuseas e vômito,
  • Mal estar,
  • Diarreia,
  • Cansaço e fraqueza.
Nesta fase aguda da doença, os sintomas costumam durar entre três e quatro dias e desaparecem sozinhos.
Entretanto, uma pequena porcentagem de pessoas pode desenvolver sintomas mais graves dentro de 24 horas após a recuperação dos sintomas mais simples.
Nesta fase chamada de tóxica, o vírus pode atingir diversos órgãos e sistemas, principalmente o fígado e os rins. Os sintomas dessa fase são:
  • Retorno da febre alta,
  • Icterícia (pele e olhos amarelados, daí o nome febre amarela), hepatite e até coma hepático devido ao dano que o vírus causa no fígado,
  • Urina escura,
  • Problemas cardíacos e pulmonares,
  • Anúria (ausência de urina),
  • Dores abdominais,
  • Sangramentos na boca, nariz, olhos ou estômago,
  • Convulsões e delírios.
Dependendo da evolução da doença e dos danos causados no organismo, esta fase da febre amarela pode levar à morte no intervalo entre sete e dez dias. Sendo assim, pessoas que são diagnosticadas com febre amarela devem estar atentas ao aparecimento dos sintomas iniciais e observar se os sintomas mais graves se manifestam.

Qual o período de incubação do vírus da febre amarela?
O período de incubação no homem varia de três à seis dias, podendo se estender até quinze dias.
A viremia (presença do vírus no sangue) humana dura no máximo sete dias e vai de 24-48 horas antes do aparecimento dos sintomas até três à cinco dias após o início da doença, e é durante esse período que o homem pode infectar os mosquitos transmissores.
Nos casos que evoluem para a cura, a infecção confere imunidade duradoura.
Segundo o pediatra Dr. Paulo Falanghe: febre com duração maior de 48 hs em bom estado geral ou mesmo febre a qualquer tempo com alteração do estado geral é motivo mais que suficiente para fazer avaliação médica.
Como é feito o diagnóstico da febre amarela?
O diagnóstico da febre amarela é feito de acordo com os seguintes critérios:
  • Sintomas apresentados
  • Se já foi vacinado (há quanto tempo)
  • Se houve casos próximos.
  • Se visitou ou reside em áreas endêmicas.
  • Se houve exposição a mosquitos possivelmente infectados.
Caso o médico suspeite de febre amarela, existe um exame de sangue que pode detectar a presença do vírus ou de anticorpos que confirme a sua infecção. Se o resultado dos testes for positivo, a única forma de impedir que o vírus se espalhe é vacinar a população que vive ou esteve nas áreas de risco.
A febre amarela é uma doença de notificação compulsória no mundo (comunicação obrigatória às autoridades sanitárias). O objetivo é manter as autoridades sanitárias informadas, a fim de que tomem as medidas preventivas necessárias.

Como é o tratamento da febre amarela?
Não há um tratamento/medicamento específico para a febre amarela. A pessoa acometida deve manter repouso em ambiente preferencialmente hospitalar para evitar que ocorram maiores complicações.
O tratamento é de suporte, isto é, manter a hidratação corporal, administrar medicações que mantenham a pressão arterial equilibrada, realizar a correção dos desequilíbrios metabólicos e aliviar os sintomas.
Igualmente nos casos de dengue, o uso de remédios que contenham ácido acetilsalicílico (AAS) é contraindicado, pois aumentam o risco de sangramentos, também não deverá utilizar anti-inflamatórios.
Nos casos mais graves, o paciente pode necessitar de diálise e transfusões de sangue.

Prevenção da febre amarela: vacinação
Como a febre amarela não se transmite entre pessoas, sendo transmitida apenas pela picada do mosquito, a única medida de prevenção para a febre amarela é através da vacinação.
A vacinação é considerada pela Organização Mundial da Saúde a forma mais importante de prevenir a febre amarela. É necessário que no mínimo 80% da população seja imunizada contra um vírus para prevenir a doença.
  • Esquema de aplicação da vacina: uma dose da vacina contra a febre amarela, está orientação está de acordo com a Organização Mundial de Saúde.
  • Idade mínima: para receber é vacina é 9 meses.
  • População alvo: crianças a partir de 9 meses de idade até adultos com 59 anos de idade.
  • Pessoas com 60 anos de idade ou mais: só devem receber a vacina se residirem ou forem se deslocar para áreas com transmissão ativa de febre amarela
  • Gestantes (em qualquer idade gestacional) e mulheres amamentando: só devem ser vacinadas se residirem em local próximo ao que ocorreu a confirmação de circulação do vírus.
  • Obs.: para as mulheres que amamentam e precisem ser vacinadas, recomenda-se suspender o aleitamento materno por 10 dias após a vacinação.
De acordo com as novas recomendações, as pessoas que já receberem uma dose da vacina anteriormente são consideradas vacinadas, não havendo necessidade de novas doses de vacina
A recomendação é que, as pessoas que residem ou viajam para regiões silvestres, rurais ou de mata, que são áreas com recomendação da vacina contra febre amarela , a vacinação contra a doença.
Para os viajantes que se deslocam para as áreas recomendadas a vacinação deverá ocorrer 10 dias antes da viagem.
Os meses de dezembro a maio são o período de maior número de casos com transmissão considerada possível em grande parte do Brasil.
A vacina contra a febre amarela é ofertada no Calendário Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) e é enviada, mensalmente, para todo o país. Em 2016, foram repassados aos estados mais de 16 milhões de doses, sendo mais de 3 milhões para o estado de Minas Gerais. Todos os estados estão abastecidos com a vacina e o país tem estoque suficiente para atender toda a população nas situações recomendadas. O estado de Minas Gerais conta com 250 mil doses em estoque.

(...)

Que reações poderão ocorrer após a vacinação contra a febre amarela?
As reações são raras, mas quando ocorrem, necessitam ser avaliadas pelo médico.
  • Reações muito comuns: dor de cabeça, reações no local de aplicação como dor, vermelhidão, hematomas, inchaços que podem ocorrer em até 2 dias da vacina;
  • Reações comuns: náusea, diarreia, vômito, dor muscular, febre e cansaço, que podem ocorrer após o terceiro dia de vacina
  • Reações incomuns (menos de 0,1% dos pacientes): problemas neurológicos, como infecção no sistema nervoso, que ocorrem de 7 a 21 dias depois da aplicação da vacina;
  • Reações raríssimas (poucos casos descritos no mundo): dor abdominal e dor nas articulações, icterícia (amarelão), falta de ar, urina escura, sangramentos, perda de função do rim, que podem ocorrer em até 10 dias após a aplicação da primeira dose da vacina.
Bebês com menos de seis meses não devem ser vacinados, pois são mais vulneráveis a possíveis complicações da vacina, entre elas, a encefalite viral
Como prevenir a febre amarela? Erradicar o mosquito transmissor da febre amarela é impossível, mas combater o mosquito Aedes aegypti nas cidades é uma medida de extrema importância para evitar surtos da doença nas áreas urbanas. Por isso, ninguém pode descuidar das normas básicas de prevenção. São elas:
  • Eliminar os focos de água parada que possam servir de criadouro para os mosquitos,
  • Usar repelentes de insetos no corpo e nas roupas para evitar as picadas.
  • Usar, sempre que possível calças e camisas que cubram a maior parte do corpo e mosqueteiros ao redor das camas, quando estiver em áreas de risco para a transmissão silvestre da doença;
  • Aplicar repelente com regularidade. Lembrar de passá-lo também na nuca e nas orelhas. É importante repetir a aplicação a cada quatro horas, ou a cada duas horas se a pessoa tiver transpirado muito;
  • Reaplicar o repelente toda a vez que molhar o corpo ou entrar na água;
  • Consultar um médico ou os núcleos de atendimento ao viajante para informar-se sobre a necessidade de tomar a vacina antes de viajar. Alguns países exigem um Certificado Internacional de Vacinação atualizado.
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O que a escola pode fazer para contribuir com a prevenção da febre amarela?

É de fundamental importância o papel da escola no combate ao mosquito transmissor, através da informação ocorre a sensibilização das crianças para o problema, e assim, os pequenos partem como multiplicadores de informações para suas famílias e comunidade em que estão inseridos.
Para que ocorra essa sensibilização e compreensão do problema pelas crianças, a escola poderá utilizar vários recursos, como por exemplo, dramatização com teatro de fantoches, confecções de cartilhas com os alunos, explicando sobre o mosquito, as doenças, sintomas e o tratamento. O professor também pode incentivar os alunos a realizarem a busca ativa por focos de acúmulo de água na própria escola.
Com  a erradicação total do mosquito é praticamente impossível, a educação para todos com objetivo de evitar a proliferação, ainda é a melhor arma contra o Aedes aegypi.

(...)
  • Sempre orientar os pais quanto à importância da atualização da carteira de vacinação.
  • Manter o ambiente escolar limpo, sem acúmulos de água e objetos e lugares que possam favorecer esse acúmulo.
  • Em caso de suspeita, alertar os pais para que estes encaminhem a criança para a avaliação médica urgentemente.
  • É também aconselhado não tomar nenhum medicamento na escola e em casa, pois podem conter substâncias que piorem os sintomas da doença,
  • Orientar os pais para que comuniquem a escola no caso de confirmação do diagnóstico.
  • Fazer a notificação compulsória na Vigilância Epidemiológica em horário comercial durante a semana e nos finais de semana e feriados e a partir de 18 horas ao Plantão da Epidemiologia.
  • Além dos itens já citados acima, a escola é responsável por educar seus alunos com relação à erradicação total do mosquito Aedes aegypti. Muitas ações educativas podem ser realizadas de maneira lúdica, como por exemplo, teatros, jogos, confecção de maquetes e também utilizar da tecnologia para fazer pesquisas sobre a história da doença, dados atuais, etc.
ATENÇÃO!
A notificação compulsória é obrigatória a todos os profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, odontólogos, médicos veterinários, biólogos, biomédicos, farmacêuticos e outros no exercício da profissão, bem como os responsáveis por organizações e estabelecimentos públicos e particulares de saúde e de ensino.

Leia a reportagem completa em http://www.crechesegura.com.br/febre-amarela-o-que-a-escola-precisa-saber/