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Os
documentos oficiais da Educação Infantil tratam da questão da avaliação,
defendendo e evidenciando que esse processo deve acontecer através de
observação, registro e avaliação formativa sem a finalidade de promoção, ou
como um pré requisito para o ingresso no
Ensino Fundamental. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
“na educação infantil a avaliação
far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o
objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental.” (LDB,
1996, artigo 31).
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a
Educação Infantil (DCNEI) orientam que a avaliação deve ser compreendida como
parte do trabalho pedagógico, sem o objetivo de promoção ou classificação:
“As instituições de Educação Infantil
devem criar procedimentos para acompanhamento do trabalho pedagógico e para
avaliação do desenvolvimento das crianças, sem objetivo de seleção, promoção ou
classificação, garantindo:
I - a observação crítica e criativa das atividades, das brincadeiras e
interações das crianças no cotidiano;
II - utilização de múltiplos registros realizados por adultos e crianças (relatórios,
fotografias, desenhos, álbuns etc.);
III - a continuidade dos processos de aprendizagens por meio da criação de
estratégias adequadas aos diferentes momentos de transição vividos pela criança
(transição casa/instituição de Educação Infantil, transições no interior da
instituição, transição creche/pré-escola e transição pré-escola/Ensino
Fundamental);
IV - documentação específica que permita
às famílias conhecer o trabalho da instituição junto às crianças e os processos
de desenvolvimento e aprendizagem da criança na Educação Infantil;
V - a
não retenção das crianças na Educação Infantil.
(DCNEI, artigo 10, grifo nosso)
Outro
importante documento oficial é o Referencial Curricular Nacional de Educação
Infantil (RCNEI). Este defende que a avaliação deve acontecer através de
observação, registro e avaliação formativa. Evidenciando a importância da “observação das formas de expressão das
crianças, de suas capacidades de concentração e envolvimento nas atividades, de
satisfação com sua própria produção com suas pequenas conquistas” como
instrumento para a avaliação e no replanejamento da ação educativa.
“No
que se refere à avaliação formativa, deve-se ter em conta que não se trata de
avaliar a criança, mas sim as situações de aprendizagem que foram oferecidas.
Isso significa dizer que a expectativa em relação à aprendizagem da criança
deve estar sempre vinculada às oportunidades e experiências que foram
oferecidas a ela. (RCNEI, volume 2
, p. 65)
O professor deve assumir o
papel de mediador, acompanhando e estimulando a construção do conhecimento das
crianças.
O
professor pode ajudar as crianças a perceberem seu desenvolvimento e promover
situações que favoreçam satisfazer-se com suas ações. Uma expressão de aprovação
diante de novas conquistas é uma das ações que pode ajudar as crianças a
valorizarem suas conquistas. Uma conversa mostrando-lhes como faziam “antes” e
como já conseguem fazer “agora” se configura num momento importante de
avaliação para as crianças. (RCNEI, volume 2, p. 67)
Defendendo
a necessidade de uma prática mais reflexiva e conhecedora de como os alunos
aprendem e se desenvolvem, visando que a avaliação na Educação Infantil não
tenha uma lógica avaliativa pautada na exclusão e no julgamento dos alunos,
HOFFMANN nos alerta que, atualmente, a maioria dos instrumentos de avaliação
privilegia um registro endereçado aos pais ou que apenas obedece às normas
estabelecidas pela instituição, preocupando-se em mostrar o que a criança
“alcançou” e deixando em segundo plano o acompanhamento de seu desenvolvimento,
apresentando resultados que "não têm por objetivo subsidiar ação
educativa no seu cotidiano, mas assegurar aos pais e à escola que as atividades
estão se desenvolvendo e que a criança os está realizando" (HOFFMANN,
2001, p. 82).
Esses
resultados muitas vezes vêm organizados em forma de notas ou conceitos, obtidos
através de ações avaliativas que remetem à idéia de classificação. HOFFMANN
(1996) aponta a existência de alguns tipos de avaliação formal na Educação
Infantil, como os boletins de acompanhamento das crianças e as fichas de
avaliação. Esses instrumentos formais de avaliação expressam certa contradição,
nem sempre refletem o que realmente a criança desenvolveu durante o período ao
qual se refere se resumindo em uma questão burocrática à que a escola deve
obedecer.
Uma
importante questão ressaltada pela autora é que os instrumentos avaliativos
são, na sua grande maioria, elaborados pelas pessoas que não que trabalham
diretamente com as crianças (como diretores, coordenadores pedagógicos,
psicólogos), o que torna difícil para o professor o preenchimento de uma ficha
que foi elaborada por outrem que não vivencia o cotidiano na sala de aula. Esta
forma de compreender a avaliação resulta em um processo que minimiza o
desenvolvimento da criança às habilidades exigidas no instrumento de avaliação,
onde todos devem alcançar um mínimo estabelecido, sem considerar a criança como
um todo.
É
necessário que os educadores reconstruam a prática avaliativa, buscando
efetivá-la como um processo que vise a acompanhar e valorizar o desenvolvimento
das crianças. A avaliação deve se constituir como um constante questionamento e
reflexão sobre a prática. A respeito disso, HOFFMANN afirma que:
''Nessa tarefa,
de reconstrução da prática avaliativa, considero premissa básica e fundamental
a postura de ‘questionamento’ do educador. Avaliação é a reflexão transformada em ação. Ação essa que nos
impulsiona a novas reflexões. Reflexão permanente do educador sobre a
realidade, e acompanhamento, passo a passo, do educando, na sua trajetória de
construção do conhecimento. Um processo interativo, através do qual educandos e
educadores aprendem sobre si mesmos e sobre a realidade escolar no ato próprio
da avaliação.” (HOFFMANN, 1996, p 18)
É importante que a avaliação
na educação infantil considere que “as
crianças apresentam maneiras peculiares e diferenciadas de vivenciar as
situações de interagir com os objetos do mundo físico. A cada minuto realizam
novas conquistas, ultrapassando nossas expectativas e causando muitas
surpresas” (HOFFMANN, 1996, p. 83).
Cada criança possui um ritmo próprio para construir seu conhecimento a
partir de sua interação com o mundo, com as demais crianças e com os adultos,
existindo assim a necessidade real de que o professor esteja atento a essas peculiaridades.
Há dois pressupostos básicos
para uma proposta de avaliação na educação infantil: a observação atenta e curiosa sobe as manifestações de cada criança;
e a reflexão sobre o significado
dessas manifestações em termos de seu desenvolvimento.
A partir da prática desses dois princípios, o
professor terá elementos para refletir sobre o significado de cada conquista do
aluno, suas dificuldades e possibilidades. Para que a observação e reflexão
sejam possíveis, é importante que o professor utilize o registro como forma de
acompanhamento de seus alunos.
O registro se torna um elemento indissociável do
processo educativo, processo este que deve se constituir como uma prática
contínua, tendo como objetivo o avanço no que diz respeito às observações sobre
a criança, a professora e a instituição. Nessa concepção, a avaliação é a
reflexão transformada em ação, configurando-se como mediadora entre o aluno e a
construção do conhecimento, não podendo, portanto, ser estática nem ter caráter
sensitivo e classificatório. (HOFMANN 1992).
CUSTÓDIO, Paula. Avaliação na Educação Infantil: A perspectiva da Creche UFF. Trabalho de Conclusão de Curso (Pedagogia) – Universidade Federal Fluminense - Niterói, 2011
Fonte: http://educandoepensando.blogspot.com.br/2012/05/avaliacao-na-educacao-infantil.html
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