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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Os cuidados com os bebês

Emmi Pikler e orientações para os cuidados com os bebês

Fora do ambiente da família, é especialmente perigoso se a atividade de trocar e vestir o bebê não é realizada desta maneira alegre. Numa creche ou instituição, o bebê é cuidado não por sua mãe, pai ou avó que o olham com amoroso orgulho, mas por outra pessoa: uma profissional, educadora, cuidadora. Uma cuidadora tem de cuidar de vários bebês – um atrás do outro; e não importa o quanto ela ame crianças, uma vez que foi por isso que ela escolheu essa carreira, ela não pode olhar para cada bebê com o amor orgulhoso, entusiasmante e adorador de uma mãe. E eu quero dizer mais: isso sequer pode ser esperado dela. Não seria realista. E, infelizmente, na realidade seus movimentos muito facilmente se tornam mecânicos, rápidos, e rotineiros. A ocasião de estar junto frequentemente acontece sem palavras, de maneira impessoal. Em uma ‘boa situação’, a criança não protesta, mas aguenta passiva, e talvez faça esse estar juntos um momento difícil por enrijecer seus músculos. E, portanto, não é um prazer para nenhuma das partes: nem para o bebê, nem para o adulto.
Como isto pode ser ajudado? Deve se esperar da cuidadora que ela ame cada criança que ela tem que cuidar como uma mãe? Mas isso é impossível. Sim, isso é impossível. Amor não pode ser prescrito, especialmente afeições maternas. Mas pode ser ajudado. Existem algumas regras pequenas e muito simples, e, se a cuidadora as seguir, a atmosfera de estar juntos se tornará completamente diferente, e será cada vez mais agradável tanto para o bebê quando para o adulto estar juntos durante os cuidados. Eventualmente, com tempo, o adulto não terá que pensar sobre regras e segui-las. Se tornará natural que ele se aproxime do bebê como um parceiro, com interesse pessoal e tato, e sua higiene, limpeza, despir, vestir e trocar fraldas será em última análise um encontro de dois seres humanos. Um encontro real, quando a criança não é apenas o objeto de tudo aquilo que acontece com ela, mas uma participante também. Listadas abaixo estão algumas regras que têm sido formadas, refinadas e trabalhadas baseadas na experiência de algumas décadas do Instituto Pikler em Budapeste, com base nos ensinamentos da pediatra húngara Emmi Pikler. No Instituto, centenas de crianças abandonadas e órfãs foram criadas para se tornarem jovens adultos com personalidades saudáveis, comprovado por estudos de acompanhamento, apesar do fato de que tiveram que lidar com a falta do acolhimento do amor familiar em sua idade mais vulnerável.
  • Nunca pegue uma criança inesperadamente em seus braços de forma que seja surpreendente para ela. Chame-a, procure por seu olhar. Se ela está adormecida e ainda assim você precisa pegá-la, chame-a, gentilmente acaricie sua face, e espere até que ela acorde espreguiçando. Uma vez que o contato visual tenha sido estabelecido, diga a ela que você irá pegá-la. Sim, mesmo com um bebê de apenas alguns dias ou semanas de idade. Então, somente depois, estenda seus braços até ela.
  • Os movimentos nunca devem ser excessivamente precipitados. Permita tempo suficiente ao bebê com seus gestos para que ele se prepare para o que vai acontecer. Por exemplo, toque-o suavemente, posicione suas mãos gentilmente sob sua cabeça e corpo, e então levante-o alguns instantes depois.
  • Ajude-o também com palavras para prepará-lo para o que vai acontecer. Isso também significa que nós nunca ficamos em silêncio juntos, mas falamos com o bebê; mantemos uma conversa. Converse com ele sobre o que será feito, que tipo de roupas serão separadas para serem colocadas nele. Sobre que parte do seu corpo será tocada. Fale com ele, informe-o, não apenas enquanto a ação já está sendo feita, mas também antes dela começar: “Eu irei puxar o seu braço por cima da manga do casaco. Sim, este seu braço. Obrigada”. Acredite se quiser, o milagre irá acontecer com a idade de apenas alguns meses. Sorrindo, o bebê irá, embora incerto, levantar seu braço quando a mão do adulto tentar alcançá-lo. E que prazer é para o adulto, e que prazer para o bebê!
  • O bebê precisa ser ouvido quando o adulto está cuidando dele. Ele precisa ser respondido. Em um relacionamento criado dessa forma o conteúdo da conversa será cada vez mais rico, e o bebê conseguirá respostas às suas manifestações. A cuidadora pode dizer, por exemplo, “Eu vejo que você gosta desse casaco bem quentinho. Sim, estou vendo, você está com sono agora. Você acabou de bocejar. Eu irei te colocar na sua cama em breve. Aqui estamos, eu irei te colocar na sua cama. E agora estou te cobrindo. Bons sonhos!” Um bebê de apenas alguns meses já absorve as palavras direcionadas a ele. E ele ajuda o adulto cuidador a ficar com ele com sua atenção – seus pensamentos, seu interesse – ainda que seja a terceira ou oitava criança cujas fraldas ele esteja trocando naquela manhã.
Estas são regras simples; não há nada de surpreendente nelas. E ainda assim vale a pena observarmo-nos para ver se é realmente assim que estamos agindo, e se nós usamos as oportunidades de estar juntos com a criança para criar um diálogo mais significativo com gestos, olhares, e fala, no qual o bebê também pode sentir que ele é um verdadeiro parceiro e um participante ativo, e que faz a hora de estar juntos mais alegre para o adulto nos momentos de cuidado repetidos durante o dia.

Publicado por Mariana em Desenvolvimento infantil
Segunda e última parte do artigo “Estar com os bebês”  (original no site Pikler/Lóczy Fund USA), escrito por Anna Tardos, do Instituto Pikler em Budapeste.
Adaptações: Heloisa Pedroza Lima
Estar com bebês – Anna Tardos
Tradução: Mariana Discacciati
Revisão da tradução:Raquel Borges
Fonte: http://www.educacaodecriancas.com.br/desenvolvimento-infantil/emmi-pikler-orientacoes-cuidados-com-bebes-parte-2

A importância da interação com os bebês.

Emmi Pikler e orientações para os 

cuidados com os bebês

Um dos mais importantes princípios da abordagem desenvolvida por Emmi Pikler (1902-1984) é o de que o adulto deve estabelecer uma relação de confiança e interação com o bebê durante os principais cuidados (banho, troca de fraldas, alimentação). Além disso, o espaço é organizado para que o bebê possa se movimentar com mais liberdade desde muito cedo, o que proporciona maior autonomia (a criança conquista cada posição por si mesma na medida em que é capaz de manter sua postura) e melhor desenvolvimento motor. 

Bebês nos afetam de maneira maravilhosa. Eles nos encantam. Eles nos tocam muito profundamente. Eu acho que não estou errada em alegar que ninguém pode passar por um carrinho de bebê de um estranho sem parar e sorrir para ele. Todo bebê e, claro, nossas próprias crianças, despertam indescritíveis emoções em nós. Nós nos inclinamos sobre nossos bebês repetidas vezes e sentimos prazer quando os vemos adormecidos, e procuramos por seus sorrisos quando estão acordados. Nós gostaríamos acima de tudo de tê-los constantemente em nossos braços.
Tudo acima é verdadeiro. E porém, não exatamente. Muitas vezes acontece que nos importantes momentos de estar juntos nós não prestamos realmente atenção neles, porque estamos preocupados com as tarefas relacionadas a eles: vestindo-lhes as camisas, limpando seus bumbuns, ajustando suas fraldas. Nós tocamo-los, movemo-los, e às vezes falhamos em notar a expectativa em seus olhares enquanto nos observam. Nós não pensamos em quão felizes eles ficariam em ‘ajudar’ se tivéssemos uma discussão com eles nesse meio tempo, e se nós contássemos a eles o que estamos a fazer:
“Agora eu irei tirar sua fralda para ver se há algo nela. Eu irei limpar sua pele e levantar seu bumbum. Você me permite fazer isso? Agora, irei colocar esse casaco em você. Vê como ele é bonito? Sua avó o fez para você. Primeiro estou puxando um braço para cima, depois o outro. Eu preciso te levantar um pouco. Não é muito fácil, mas nós conseguimos”.
Eles ajudariam? Sim. O bebê prestaria atenção naquilo que estivéssemos fazendo, relaxaria seus braços, e, com a idade de apenas alguns meses, ele levantaria seus braços em nossa direção quando lhe mostrássemos sua camisa. Uma conversa real pode ser formada dessa maneira entre o adulto e o bebê. Dessa maneira, os rápidos e pouco cuidadosos movimentos que frequentemente lançam uma sombra na atividade conjunta durante os momentos passados juntos podem ser evitados: pernas levantadas muito altas, muito rapidamente giradas para o lado, o braço do bebê ficando preso na manga, ou as pernas presas nos macacões com zíper (não muito práticos).
Esta pode ser uma experiência bastante desagradável para o bebê. E também acontece que, ao invés de um rico e significativo diálogo realizado durante um prazeroso momento conjunto, o adulto tem que vestir um bebê que chora e protesta. Nesta hora, o adulto tentaria acalmar o bebê: “Eu estou vendo que você está cansado. Tudo bem, terei pressa e nós iremos terminar rápido”. Neste meio tempo, os movimentos ficam cada vez mais rápidos, e frequentemente precipitados, portanto ainda mais desagradáveis para a criança. É uma pena. Por quê? Porque a atividade de vestir ou trocar, repetida várias vezes no dia, pode ser também um alegre encontro em conjunto.


Publicado por Mariana em Desenvolvimento infantil
Este post traz a primeira parte do artigo “Estar com os bebês”  (original no site Pikler/Lóczy Fund USA), escrito por Anna Tardos, do Instituto Pikler em Budapeste. 
Adaptações: Heloisa Pedroza lima
Estar com bebês – Anna Tardos
Tradução: Mariana Discacciati
Revisão da tradução: Raquel Borges
Fonte: http://www.educacaodecriancas.com.br/desenvolvimento-infantil/emmi-pikler-orientacoes-para-cuidados-com-bebes-parte-1

Ações pedagógicas - Abordagem Emmi Pikler


“Não podemos esquecer que são nos pequenos gestos do cotidiano que
se traçam as bases do desenvolvimento futuro.”

Sylvia Nabinger

 
O tipo de sujeito que se deseja construir depende fundamentalmente das escolhas éticas e epistemológicas que embasam o trabalho junto ao bebê. Por este motivo, as ações pedagógicas devem ser fundamentadas a partir das escolhas dos teóricos e dos pensadores da educação na primeiríssima infância, que favoreçam a construção de um trabalho coerente com os princípios e os valores da escola.
A UNIEPRE dialoga de forma muito especial com as ideias de Emmi Pikler, médica Húngara que elaborou uma abordagem com muitos detalhes que devem envolver as relações das educadoras com os bebês.
Essa abordagem traz alguns princípios: 
motricidade livre, vínculo afetivo, brincar e autonomia.
O movimento livre propicia a autonomia e o brincar. Não se trata somente de deixar a criança brincar livremente e, sim, da atitude do adulto, dos espaços e dos materiais oferecidos para as crianças.  Essa abordagem foi pioneira na defesa do movimento livre do bebê.
A crença principal é que não se ensina motricidade, o desenvolvimento motor se dá a partir do processo de maturação e das experiências que o bebê realiza para formar sistemas de equilíbrio. Quando a criança conquista uma posição com o corpo (sentar, ficar em pé) ou um movimento (rolar, engatinhar, andar, subir, descer) por ele mesmo, através de ações exploratórias, ela desenvolve o sentimento de competência.
Outra questão bastante defendida nas ideias de Pikler se refere às palavras gentis nos cuidados cotidianos com os bebês, pois são essas situações que os levam a uma experiência de serem aceitos, entendidos e compreendidos. O mais importante é como a educadora está com a criança e como satisfaz suas necessidades. O cuidado é o que proporciona o encontro, que possibilita o entendimento do outro que a toca e que a entende.
Por: PatriciaBignardi – Coordenadora do Núcleo Pedagógico Uniepre
Fonte:  http://www.uniepre.com.br/blog/abordagem-emmi-pikler-na-uniepre/
Adaptações: Heloisa Pedroza Lima

Abordagem Emmi Pikler – Educação infantil

Emmi Pikler
Reverenciada por estudiosos de educação de diversas partes do mundo, Emmi Pikler, médica austro-húngara, fundou uma instituição em Budapeste após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1946, para abrigar órfãos e também crianças de até 3 anos que corriam o risco de ser contaminadas pela tuberculose dos pais. Ali colocou em prática suas ideias, as quais consistiam em interferir menos no estágio de maturidade dos bebês, respeitar a individualidade de cada um e dedicar um cuidado especial permeado por uma relação de afeto entre 
o adulto e a criança.
A primeira infância é extremamente fundamental na vida das pessoas e poucos compreendem o valor que esta possui. Hoje em dia, a infância tem sido comprimida entre tarefas e compromissos precoces que os pais buscam para as crianças pensando que estão colaborando para o desenvolvimento e preparando um futuro seguro e feliz.
Muitos adultos exercem uma pressão psicológica e física em suas crianças, pensando no desenvolvimento psicomotor, achando que assim a criança irá se desenvolver mais rápido.
Essa pressão resulta em um caminhar desestruturado, desequilibrado e inseguro, os quais refletem diretamente no psique emocional das crianças. Porém, se as crianças desde o nascimento são respeitadas em sua infância, conseguirão desenvolver suas potencialidades de maneira natural e se tornarão adultos mais seguros, determinados e felizes.
Essa é uma das primícias da abordagem Pikler-Lóczy, desenvolvida por Emmi Pikler (1902-1984), a qual destaca a importância de se respeitar cada criança a fim de que estas se desenvolvam em um ambiente amoroso, respeitoso e seguro.
Pouco conhecida no Brasil, a abordagem Pikler, voltada para a educação de crianças de 0 a 3 anos, começa a dar os primeiros passos no país.

O método se baseia em quatro princípios:
  1. O Valor da atividade autônoma, em que as cuidadoras têm o papel de motivar e levar o bebê a descobrir o prazer de agir livremente.
  2. A relação afetiva privilegiada no contexto institucional, ou seja, é importante que a criança crie um vínculo consciente – não se trata de uma tentativa de substituição dos pais.
  3. A necessidade de oportunizar às crianças a consciência de si e do seu ambiente.
  4. O bom estado de saúde das crianças completa o enquadramento teórico.
O resultado desse conjunto aplicado são crianças confiantes e alegres, que se desenvolvem harmoniosamente e compreendem os adultos.

Fonte:  https://uaubaby.wordpress.com/2015/07/31/abordagem-emmi-pikler-educacao-infantil-2/
Adaptações: Heloisa Pedroza Lima

sábado, 16 de abril de 2016

Sobre o s bebês

O bebê também precisa brincar sozinho
Os bebês encantam as pessoas. O cheirinho, o sorriso, o olhar. É irresistível! Ele é sedutor e retribui com um sorriso, como se estivesse dizendo: “Fique comigo! Me pegue! Não me abandone...”. 
Este relacionamento mutuo é muito importante para o desenvolvimento do bebê, pois essa troca de olhares e sorrisos é o que convida o bebê para se interessar pelo mundo e conhecer a si mesmo. Um bebê precisa se sentir protegido e amado, desfrutar de muito carinho e afeto e construir relações estáveis com pessoas em um ambiente seguro, repleto de amor e dedicação. Mas o bebê precisa também de um tempinho só para ele. Um tempinho para se auto conhecer e tentar entender as coisas que acontecem ao seu redor. Tempo para analisar a luz do quarto que acende e apaga, para descobrir sua mãozinha que vira e mexe passa em frente de seus olhos, morder o pé, para se apropriar dos sons ao redor e das pessoas que constantemente estão com ele. Ele se diverte e se ocupa com brinquedos que nem são brinquedos. O bebê tem sua curiosidade natural e desta forma é capaz de ocupar-se seguindo seu próprio interesse. Mas ele precisa de oportunidade para desenvolver esta capacidade de ocupar-se. Ele precisa de tempo e tranquilidade, espaço e liberdade de movimento... Se pararmos para observar as atividades do bebê sem interferir, podemos observar um espetacular processo de aprendizagem. Ele tenta realizar uma experiência, analisa o resultado, repete para ver se obtém o mesmo resultado... Ele aprende a aprender imperceptivelmente, incorporando nas suas experiências suas percepções e as características dos objetos com os quais ele se habituou, criando desta forma uma capacidade de construção de pensamentos lógicos e dedutivos. E quando isto acontece, o bebe passa a realizar suas próprias ações, conquistando independência e autonomia para criar suas hipóteses. Este é o inicio da curiosidade humana e do comportamento questionador manifestando nos bebês. Porém, muitas vezes o adulto acaba interferindo em relação a qual brinquedo o bebê se interessa ou o que ele faz com este brinquedo, “ensinando o jeito certo de brincar”. Ao oferecer o “conhecimento digerido” o adulto interrompe o processo de formação do raciocínio do bebê, não dando tempo para a descoberta. A inteligência do adulto não substitui a atividade própria da criança, na qual a construção de hipóteses é tão importante quanto o resultado. Por exemplo, explorar um pote antes de saber sua função pode trazer outras perspectivas e descobertas: pode vir a ser um chapéu, um tambor... Sem perceber estamos ensinando nossa lógica já aprendida para o bebê que está aprendendo a descobrir como as coisas acontecem, impedindo este processo de exploração, questionamento e aprendizagem. É importante que o bebê participe mais, escolha, e tenha tempo para encantar-se com as coisas. O bebê é um cientista nato e precisa fazer experiências próprias para descobrir o mundo... um bebê que tem a oportunidade de explorar os objetos, cores, texturas, sons, cheiros, com tempo e o espaço necessário para experimentá-los, está trilhando o caminho para ser uma criança curiosa, que pensa e inventa, com a oportunidade criar de associações, observar detalhes e perspectivas que nuca imaginaríamos... E o adulto? O adulto é seu parceiro nesta descoberta. Aquele que constrói o ambiente com diversas oportunidades e valida suas experiências e seu desejo de fazer. Sendo assim, na hora de brincar com o seu pequeno, dê um passo para trás! Faz parte do amor e investimento na infância deixar o pequeno “se virar”. Dê tempo e oportunidade para que seu filho experimente, questione, analise e crie seu jeito particular de perceber o mundo!

Nadja Azevedo
Fisioterapeuta/Psicomotricista
Equipe Una Primeira Infância

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Sobre os bebês



O que podemos aprender com os bebês
Quando adentramos o universo dos bebês (sejamos pais, mães, cuidadoras ou professoras), somos convidados a nos alfabetizar nas muitas outras formas de linguagem e expressão: gestos, sensações e infinitos movimentos corporais. Por estarmos habituados à linguagem oral, tendemos a pensar que os bebês não se comunicam. Mas essa percepção já caiu por terra há algum tempo, desde as descobertas recentes da neurociência, psicologia, pedagogia e outros campos do conhecimento interessados pelo desenvolvimento humano.
Segundo o psicomotricista André Trindade, “o bebê registra tudo o que acontece a seu redor e em seu interior por meio de sensações, emoções e gestos. Antes de poder pensar o mundo, ele o sente (…), utiliza-se das sensações de seu corpo no espaço, para conceber a si e ao mundo que o rodeia”.
Balbucios, choros, risadas e um olhar impressionantemente comunicativo. É possível estabelecer com os bebês um diálogo cheio de comunicação, ainda que sem palavras. Entrar nessa interação pode ser um mergulho e um rico aprendizado. Mas, para isso, é preciso estar atento, aguçar os sentidos e estar disponível para abrir o pensamento às sensações.
Estar entre os bebês é se deparar com uma outra forma de estar no mundo e com a cisão que nos é imposta – como adultos – entre corpo e mente, pensamento e sensação. Em tudo que fazem, os pequenos estão de corpo presente. Eles são atentos a tudo e experimentam o mundo de corpo inteiro. É assim que apreendem o mundo e se constituem.
De sentidos aguçados, quando pintam com tinta, por exemplo, não se satisfazem apenas em pintar o papel. Vão além: o corpo se transforma em tela. Para eles, interessa a sensação da tinta na pele. Associando sensações e percepções, pouco a pouco, conceituam o mundo em que vivem. Já observou bebês assistindo a uma peça de teatro? Quando algo na cena os encanta, eles se mexem, pulam, fazem gestos, riem. É possível ler em seus corpos um maravilhamento explícito.
Os bebês tudo olham, tocam, provam, cheiram. Observam, movimentam-se o tempo todo, fazem caretas, choram, agarram um objeto. Seguram o pé, colocam na boca e riem: quanta alegria e aprendizagem traduz esse gesto. Percebem as mãos e passam muito tempo as observando, fazendo movimentos suaves, miúdos. Contemplam: bebês são muito contemplativos. E quanta poesia e delicadeza há nessa forma de comunicação.
Talvez, para nos comunicar com os bebês, tenhamos que nos tornar um pouco poetas e (re) aprender com eles essa forma de estar no mundo.
“e os meus pensamentos são todos sensações
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer o fruto é saber-lhe o sentido”
Fernando Pessoa
(Juliana Montoia de Lima)

domingo, 2 de agosto de 2015

Sobre o bebês - parte 2

Emmi Pikler e orientações para os cuidados com os bebês            Parte 2

17 de dezembro de 2011 | Publicado por Mariana em Desenvolvimento infantil
Segunda e última parte do artigo “Estar com os bebês”  (original no site Pikler/Lóczy Fund USA), escrito por Anna Tardos, do Instituto Pikler em Budapeste. Leia também a primeira parte do artigo.
Estar com bebês – Anna Tardos
Tradução: Mariana Discacciati
Revisão da tradução:Raquel Borges
Fora do ambiente da família, é especialmente perigoso se a atividade de trocar e vestir o bebê não é realizada desta maneira alegre. Numa creche ou instituição, o bebê é cuidado não por sua mãe, pai ou avó que o olham com amoroso orgulho, mas por outra pessoa: uma profissional, educadora, cuidadora. Uma cuidadora tem de cuidar de vários bebês – um atrás do outro; e não importa o quanto ela ame crianças, uma vez que foi por isso que ela escolheu essa carreira, ela não pode olhar para cada bebê com o amor orgulhoso, entusiasmante e adorador de uma mãe. E eu quero dizer mais: isso sequer pode ser esperado dela. Não seria realista. E, infelizmente, na realidade seus movimentos muito facilmente se tornam mecânicos, rápidos, e rotineiros. A ocasião de estar junto frequentemente acontece sem palavras, de maneira impessoal. Em uma ‘boa situação’, a criança não protesta, mas aguenta passiva, e talvez faça esse estar juntos um momento difícil por enrijecer seus músculos. E, portanto, não é um prazer para nenhuma das partes: nem para o bebê, nem para o adulto.
Como isto pode ser ajudado? Deve se esperar da cuidadora que ela ame cada criança que ela tem que cuidar como uma mãe? Mas isso é impossível. Sim, isso é impossível. Amor não pode ser prescrito, especialmente afeições maternas. Mas pode ser ajudado. Existem algumas regras pequenas e muito simples, e, se a cuidadora as seguir, a atmosfera de estar juntos se tornará completamente diferente, e será cada vez mais agradável tanto para o bebê quando para o adulto estar juntos durante os cuidados. Eventualmente, com tempo, o adulto não terá que pensar sobre regras e segui-las. Se tornará natural que ele se aproxime do bebê como um parceiro, com interesse pessoal e tato, e sua higiene, limpeza, despir, vestir e trocar fraldas será em última análise um encontro de dois seres humanos. Um encontro real, quando a criança não é apenas o objeto de tudo aquilo que acontece com ela, mas uma participante também. Listadas abaixo estão algumas regras que têm sido formadas, refinadas e trabalhadas baseadas na experiência de algumas décadas do Instituto Pikler em Budapeste, com base nos ensinamentos da pediatra húngara Emmi Pikler. No Instituto, centenas de crianças abandonadas e órfãs foram criadas para se tornarem jovens adultos com personalidades saudáveis, comprovado por estudos de acompanhamento, apesar do fato de que tiveram que lidar com a falta do acolhimento do amor familiar em sua idade mais vulnerável.
  • Nunca pegue uma criança inesperadamente em seus braços de forma que seja surpreendente para ela. Chame-a, procure por seu olhar. Se ela está adormecida e ainda assim você precisa pegá-la, chame-a, gentilmente acaricie sua face, e espere até que ela acorde espreguiçando. Uma vez que o contato visual tenha sido estabelecido, diga a ela que você irá pegá-la. Sim, mesmo com um bebê de apenas alguns dias ou semanas de idade. Então, somente depois, estenda seus braços até ela.
  • Os movimentos nunca devem ser excessivamente precipitados. Permita tempo suficiente ao bebê com seus gestos para que ele se prepare para o que vai acontecer. Por exemplo, toque-o suavemente, posicione suas mãos gentilmente sob sua cabeça e corpo, e então levante-o alguns instantes depois.
  • Ajude-o também com palavras para prepará-lo para o que vai acontecer. Isso também significa que nós nunca ficamos em silêncio juntos, mas falamos com o bebê; mantemos uma conversa. Converse com ele sobre o que será feito, que tipo de roupas serão separadas para serem colocadas nele. Sobre que parte do seu corpo será tocada. Fale com ele, informe-o, não apenas enquanto a ação já está sendo feita, mas também antes dela começar: “Eu irei puxar o seu braço por cima da manga do casaco. Sim, este seu braço. Obrigada”. Acredite se quiser, o milagre irá acontecer com a idade de apenas alguns meses. Sorrindo, o bebê irá, embora incerto, levantar seu braço quando a mão do adulto tentar alcançá-lo. E que prazer é para o adulto, e que prazer para o bebê!
  • O bebê precisa ser ouvido quando o adulto está cuidando dele. Ele precisa ser respondido. Em um relacionamento criado dessa forma o conteúdo da conversa será cada vez mais rico, e o bebê conseguirá respostas às suas manifestações. A cuidadora pode dizer, por exemplo, “Eu vejo que você gosta desse casaco bem quentinho. Sim, estou vendo, você está com sono agora. Você acabou de bocejar. Eu irei te colocar na sua cama em breve. Aqui estamos, eu irei te colocar na sua cama. E agora estou te cobrindo. Bons sonhos!” Um bebê de apenas alguns meses já absorve as palavras direcionadas a ele. E ele ajuda o adulto cuidador a ficar com ele com sua atenção – seus pensamentos, seu interesse – ainda que seja a terceira ou oitava criança cujas fraldas ele esteja trocando naquela manhã.
Estas são regras simples; não há nada de surpreendente nelas. E ainda assim vale a pena observarmo-nos para ver se é realmente assim que estamos agindo, e se nós usamos as oportunidades de estar juntos com a criança para criar um diálogo mais significativo com gestos, olhares, e fala, no qual o bebê também pode sentir que ele é um verdadeiro parceiro e um participante ativo, e que faz a hora de estar juntos mais alegre para o adulto nos momentos de cuidado repetidos durante o dia.
Fonte: http://www.educacaodecriancas.com.br/desenvolvimento-infantil/emmi-pikler-orientacoes-cuidados-com-bebes-parte-2

domingo, 28 de junho de 2015

Sobre os bebês - Parte 1

Emmi Pikler e orientações para os cuidados com os bebês   

Parte 1

Bebês nos afetam de maneira maravilhosa. Eles nos encantam. Eles nos tocam muito profundamente. Eu acho que não estou errada em alegar que ninguém pode passar por um carrinho de bebê de um estranho sem parar e sorrir para ele. Todo bebê e, claro, nossas próprias crianças, despertam indescritíveis emoções em nós. Nós nos inclinamos sobre nossos bebês repetidas vezes e sentimos prazer quando os vemos adormecidos, e procuramos por seus sorrisos quando estão acordados. Nós gostaríamos acima de tudo de tê-los constantemente em nossos braços.
Tudo acima é verdadeiro. E porém, não exatamente. 
Muitas vezes acontece que nos importantes momentos de estar juntos nós não prestamos realmente atenção neles, porque estamos preocupados com as tarefas relacionadas a eles: vestindo-lhes as camisas, limpando seus bumbuns, ajustando suas fraldas. Nós tocamo-los, movemo-los, e às vezes falhamos em notar a expectativa em seus olhares enquanto nos observam. Nós não pensamos em quão felizes eles ficariam em ‘ajudar’ se tivéssemos uma discussão com eles nesse meio tempo, e se nós contássemos a eles o que estamos a fazer:
“Agora eu irei tirar sua fralda para ver se há algo nela. Eu irei limpar sua pele e levantar seu bumbum. Você me permite fazer isso? Agora, irei colocar esse casaco em você. Vê como ele é bonito? Sua avó o fez para você. Primeiro estou puxando um braço para cima, depois o outro. Eu preciso te levantar um pouco. Não é muito fácil, mas nós conseguimos”.
Eles ajudariam? Sim. 
O bebê prestaria atenção naquilo que estivéssemos fazendo, relaxaria seus braços, e, com a idade de apenas alguns meses, ele levantaria seus braços em nossa direção quando lhe mostrássemos sua camisa. Uma conversa real pode ser formada dessa maneira entre o adulto e o bebê. Dessa maneira, os rápidos e pouco cuidadosos movimentos que frequentemente lançam uma sombra na atividade conjunta durante os momentos passados juntos podem ser evitados: pernas levantadas muito altas, muito rapidamente giradas para o lado, o braço do bebê ficando preso na manga, ou as pernas presas nos macacões com zíper (não muito práticos).
Esta pode ser uma experiência bastante desagradável para o bebê. E também acontece que, ao invés de um rico e significativo diálogo realizado durante um prazeroso momento conjunto, o adulto tem que vestir um bebê que chora e protesta. Nesta hora, o adulto tentaria acalmar o bebê: “Eu estou vendo que você está cansado. Tudo bem, terei pressa e nós iremos terminar rápido”
Neste meio tempo, os movimentos ficam cada vez mais rápidos, e frequentemente precipitados, portanto ainda mais desagradáveis para a criança. É uma pena. 
Por quê? Porque a atividade de vestir ou trocar, repetida várias vezes no dia, pode ser também um alegre encontro em conjunto.
14 de dezembro de 2011 | Publicado por Mariana em Desenvolvimento infantil
Este post traz a primeira parte do artigo “Estar com os bebês”  (original no site Pikler/Lóczy Fund USA), escrito por Anna Tardos, do Instituto Pikler em Budapeste. Um dos mais importantes princípios da abordagem desenvolvida por Emmi Pikler (1902-1984) é o de que o adulto deve estabelecer uma relação de confiança e interação com o bebê durante os principais cuidados (banho, troca de fraldas, alimentação). Além disso, o espaço é organizado para que o bebê possa se movimentar com mais liberdade desde muito cedo, o que proporciona maior autonomia (a criança conquista cada posição por si mesma na medida em que é capaz de manter sua postura) e melhor desenvolvimento motor. 
Estar com bebês – Anna Tardos
Tradução: Mariana Discacciati
Revisão da tradução:Raquel Borges
Fonte: http://www.educacaodecriancas.com.br/desenvolvimento-infantil/emmi-pikler-orientacoes-para-cuidados-com-bebes-parte-1

Engatinhar: uma conquista do bebê

 
Perigos de acidente, chão "sujo" com possibilidade de contágio de doenças, somado à maior demanda de atenção dos pais, vovós ou babás. Isso tudo está fazendo com que o engatinhar fique para trás. As crianças de hoje estão engatinhando menos do que as crianças de antigamente. O que é um retrocesso.

E para aumentar essa estatística nada boa, existem hoje no mercado várias cadeirinhas, cadeirões, chiqueirinhos, bebê conforto e carrinhos que deixam as crianças sentadas, enquanto os pais podem fazer o que quiser, pois o pimpolho estará lá, sempre sentadinho.

Agora o problema: Sally Blythe, especialista em desenvolvimento infantil, coordenou um estudo em que relacionou a falta de engatinhar com dificuldades em aprender a ler e escrever.

A especialista estudou 70 crianças de 8 a 10 anos divididas em dois grupos, um com crianças apresentando dificuldades na leitura e escrita, e o outro sem queixas no aprendizado.

Ao fim do estudo, percebeu uma diferença significativa: as crianças que não engatinharam ou engatinharam menos também andaram mais tarde e eram as crianças do grupo que apresentavam dificuldades no aprendizado.

De uma maneira sucinta, o engatinhar representa um marco no desenvolvimento da criança e é um exercício motor importante.

A tentativa de “balançar o esqueleto”, mesmo que desordenadamente, estimula a coordenação visual para os movimentos que mais tarde a criança vai usar para ler e escrever, explica Sally.

Deixe o bebê “se virar” 
Engatinhando a criança desloca os olhos similarmente ao momento de leitura e escrita. Dessa forma, o bebê é estimulado a construir novas ligações neurológicas envolvidas nessas funções, ajudando mais tarde na escola.

O uso excessivo dos artigos modernos que auxiliam os pais a tomar conta dos bebês são um dos vilões do engatinhar. Eles deixam a criança sentadinha impedindo que se movimentem e brinquem livremente com o corpo.

No chão, a criança aumenta o seu campo de visão e o seu equilíbrio, sendo mais fácil descobrir o mundo. Aprende a ter noção de espaço e distância. É uma ação ativa e não passiva como as crianças que ficam nas cadeirinhas. Além de tudo, ajuda alinhar a coluna, preparando a criança para ficar em pé e andar.

Precisamos saber também que o não engatinhar não é fator determinante para que a criança tenha dificuldades na escola. "Alguns bebês que não engatinharam acabam não tendo problemas, enquanto alguns que engatinharam poderão apresentar dificuldades", afirma à especialista.

Dicas
Pense na seguinte situação: seu bebê está em uma cadeirinha de rodinha e deixa cair um brinquedo no chão. Ele não terá a mínima chance de pegar o objeto, pois está preso. Ficará totalmente dependente, à espera de alguém para pegar o brinquedo. Péssimo para quem está na fase de descobrimento da vida e aprendizado.

Deixe brinquedos de diferentes cores, texturas e materiais no chão ao lado do seu bebê para que descubra as diferenças.

Não se preocupe se seu bebê não engatinhar. Cada bebê se desenvolve de maneiras diferentes e muitos não passam pela fase do engatinhar, mas precisamos estimulá-los.

Autor Desconhecido.

sábado, 23 de agosto de 2014

Leitura para os bebês

Pediatras prescrevem: “leiam em voz alta para os bebês, desde o nascimento”
 
A orientação foi considerada inédita para as grandes associações médicas. O que a Academia     Americana de Pediatria prega é que ler para o bebê assim que ele nasce ajuda no desenvolvimento     de habilidades essenciais. Para o seu trabalho na área de Saúde ou Educação, este post é bem    especial!

A Academia Americana de Pediatria acrescentou mais uma orientação aos profissionais quando estes tratarem da criança pequena em seus consultórios ou unidades de Saúde: além da amamentação exclusiva até os seis meses, a imunização por meio de vacinas, devem também prescrever aos pais que leiam em voz alta para seus filhos desde o nascimento.
Os 62 mil pediatras dos Estados Unidos, que compõem o grupo, reconhecem e querem disseminar aos demais profissionais, e a toda sociedade, que uma parte importante do desenvolvimento do cérebro se dá nos primeiros três anos de vida e essa leitura amplia o vocabulário, além de fortalecer outras importantes habilidades de comunicação.
Embora muitos pais já tenham esse hábito, inclusive com a criança ainda no útero, pesquisas indicam que uma boa parte não lê para seus filhos com tanta frequência, o que é considerado essencial para a pré-alfabetização.
Um estudo, que já tem duas décadas, apontava que crianças de três anos, de famílias economicamente bem-sucedidas, já tinham ouvido milhões de vezes mais palavras que os filhos de pais de menor escolaridade e baixa renda. Uma pesquisa mais recente mostrou que as diferenças já são perceptíveis aos dezoito meses.
Outra preocupação dos profissionais é com o fácil acesso à tecnologia, em todas as faixas de renda. Os bebês usam smartphones e tablets, movendo as telas com os dedos, o que pode deixar a leitura em voz alta para um segundo ou terceiro plano.
Por meio dessa nova recomendação, o grupo pediátrico pretende ajudar a também reduzir as diferenças acadêmicas entre crianças de alta e de baixa renda.
Uma das iniciativas para dar conta dessa missão e o “Reach Out and Read”, um grupo de alfabetização sem fins lucrativos que emprega cerca de vinte mil pediatras americanos para distribuírem livros às famílias de baixa renda. Ou seja: a área da Saúde integrando-se à área da Educação.
O movimento tem crescido nos EUA e pode servir de inspiração ao seu trabalho com a criança pequena. Afinal, para garantir que ela se desenvolva integralmente, é preciso que as diversas áreas que a atendem se integrem e troquem expertises para garantir uma infância plena.
O assunto foi notícia no portal UOL, cuja matéria “Grupo pediátrico recomenda ler em voz alta para crianças desde o nascimento” inspirou este post.

domingo, 20 de julho de 2014

Para professores de bebês

"Quando nós tocamos o corpo do bebê."
 
Não sabemos quem fez a tradução, nem quem disponibilizou o artigo na internet, mas agradecemos desde já o esforço!
A associação Pikler Lóczy da França propõe uma reflexão sobre a criança que se apoia sobre os trabalhos de Emmi Pikler, pediatra, e sobre a experiência de Lóczy, berçário que fundou em 1946, em Budapeste, na Hungria, nos propõe textos fundamentais e contemporâneos, para aprofundar a visão atual sobre o bebê e as crianças jovens , e promover as idéias piklerianas. Foi Judit Falk, pediatra e ex-diretora do Instituto Pikler que inaugurou a Spirale.


Às vezes educadores, psicólogos, pedagogos parecem se esquecer que a criança tem um corpo e não ‘pensa’ senão com suas emoções, suas relações interpessoais, suas capacidades e aquisições motoras e cognitivas (relativas ao que ela sabe ou ao que ainda não sabe).

Quanto aos pediatras interessados nas etapas do desenvolvimento da criança, eles estudaram essencialmente o desenvolvimento somático e negligenciaram o psiquismo. Hoje, numerosos pediatras procuram considerar, ter em conta, corpo e psiquismo quando tratam, por exemplo, certos problemas alimentares, a asma, etc... refletindo notadamente em termos de doenças psicossomáticas.

Além disso, mais e mais psicólogos, pedagogos e educadores consideram que o bem-estar físico, que depende de inúmeros pequenos detalhes, é uma condição fundamental ao exercício de funções propriamente psíquicas.

Entretanto, ainda prevalece um enfoque das necessidades do bebê como puramente psicológicas e dos cuidados corporais como puramente sanitários. Porém, nesta idade, o fisiológico e o psicológico não estão ainda distintos ou somente começam a sê-lo. De fato, essas necessidades e a sua satisfação situam-se dentro de um campo psicológico complexo. O potencial inato da criança comporta uma tendência ao crescimento e ao desenvolvimento, mas o crescimento não poderá existir senão sob certas condições, sobretudo de cuidados de boa qualidade, durante todo o desenvolvimento.

Por cuidados de boa qualidade se entende não somente os cuidados corporais executados pelo adulto, mas também a atenção que este dá às condições do meio (do ambiente), à necessidade de segurança afetiva e de atividades do bebê e às modificações do meio ambiente (do entorno), que devem também evoluir, modificar-se, em função do desenvolvimento do bebê. Esses cuidados de boa qualidade favorecem a tendência inata da criança a conhecer e habitar seu corpo, a ter prazer, a obter conhecimentos a partir de suas funções corporais e a aceitar os limites impostos por sua pele, segundo os termos de Winnicott, “esta membrana que separa o ‘eu’ do ‘não eu’”.

A noção do corpo próprio se constitui progressivamente desde o início da vida, dentro de um processo de desenvolvimento complexo. Segundo Wallon, ela precede os outros processos da psicogênese, pois não há o que esteja, como ela, mais imediatamente na confluência das necessidades interoceptivas e das relações com o mundo exterior, nem mais indispensáveis aos progressos futuros da consciência.

A criança pequena, desde o nascimento, consegue conhecer seu corpo essencialmente de duas maneiras: através de tudo o que se passa com seu corpo, quer dizer, pela atividade de seu próprio corpo, e por tudo que é feito com seu corpo e para seu corpo quando é pego, carregado, alimentado e lhe são dados outros cuidados corporais.

A visão e as experiências dos corpos dos outros, além de outros fatores, interferem igualmente nessa descoberta, mas as experiências adquiridas graças ao próprio corpo nos parecem primordiais.
Esses dois aspectos, aquilo que ele faz e aquilo que é feito com (e a) seu corpo são interdependentes, dificilmente dissociáveis. Mas este artigo só se ocupará do segundo aspecto, quer dizer, daquilo que acontece ao corpo de uma criança pequena, visto que consideramos ter importância primordial os cuidados corporais e em tudo o que se passa entre a criança e o adulto, durante os cuidados.
Todos aqueles que conhecem um pouco o trabalho de nosso instituto já sabem que nós consideramos os momentos dos cuidados corporais como os mais importantes e os mais íntimos da interação adulto-criança.
Nós pensamos que o bebê, na medida em que ele teve um momento de intensa segurança durante os cuidados, pode em seguida aproveitar as possibilidades de atividade nas quais o adulto não intervém diretamente, e se voltar com interesse e alegria para o mundo exterior.

QUALIDADE E EFEITOS DOS CUIDADOS

O bebê irá se conhecer e conhecer o adulto durante esses cuidados, até a satisfação de suas necessidades corporais. No início, o bebê sente estas necessidades apenas como uma forma desagradável de tensões indefinidas e de sofrimento. Ele ainda não “sabe” que tem fome, que tem sede, que tem calor ou frio, ou que alguma coisa lhe faz mal. Em seguida da satisfação de suas necessidades, ou mais exatamente em seguida à maneira com que o adulto põe fim às suas tensões, o bebê aprende a sinalizar, e depois a reconhecer estas necessidades, e, finalmente, a exprimir ele mesmo, de maneira cada vez mais cheia de nuances, suas necessidades, suas próprias exigências, por relacioná-las com sua satisfação, e depois da satisfação, com o sentimento de contentamento.
Para fazer uma descrição simples desse processo de aprendizagem, pode-se dizer que a criança aprende a exprimir suas necessidades por que ela teve experiências repetidas em que o adulto a livrou de suas sensações desagradáveis, pois reconheceu os sinais emitidos pela criança e respondeu adequadamente.
Essas experiências levam a criança a associar a cessação de suas tensões, da fome, da sede, do frio, etc.., aos sinais emitidos por ela mesma e ao adulto que responde às suas necessidades. Seu sentimento de segurança psíquica está ligado ao adulto e, também como conseqüência, seu sentimento de segurança afetiva.
É pela expressão de suas necessidades, e pela resposta que recebe, que o bebê aprende a perceber qual é a necessidade, quer dizer, que ele tem fome, que tem sede, etc.., e que ele aprende também que é ele mesmo, sua própria pessoa, quem tem fome, quem tem sede. Ao mesmo tempo, ele compreende que, embora seja o adulto quem põe fim às suas tensões, ele pode contribuir se der os sinais adequados.

Se, durante os cuidados, o adulto der sem cessar uma atenção particular aos sinais do bebê, e se os levar em consideração para lhe oferecer as refeições, para andar, banhar, vestir ou desvestir, ele cria, desde o início, a possibilidade de que o bebê, por sua vez, “intervenha” no processo dos cuidados e na maneira pelas quais esses cuidados serão satisfeitos, notadamente em relação à duração e ao ritmo da refeição, à quantidade e à temperatura da comida, ao ritmo dos movimentos durante o vestir, o despir, à quantidade e à temperatura da água do banho, etc.
Se a criança tiver confiança na possibilidade de influenciar naquilo que ocorre com ela, se puder sentir-se sujeito participante e não objeto manipulado, isso irá reforçar seu sentimento de eficiência e de competência.

Um compartilhamento nas atividades dos dois parceiros, um verdadeiro diálogo ocorrerá durante os cuidados do bebê desde a mais tenra idade, através da via cutânea e cinestésica, se ele não for jamais tratado como um objeto, precioso ou não, mas sim como um ser humano que sente, observa, registra e compreende (ou que compreenderá, se lhe for dada a oportunidade), se as palavras e os gestos não forem simplesmente “gentis”, mas se eles testemunharem a consciência permanente que a criança é sensível a tudo o que lhe acontece e não pode ser manipulada em função do que é cômodo para o adulto.

Graças a esse diálogo, o bebê constrói cada vez mais maneiras de emitir sinais capazes de influenciar os acontecimentos que lhe concernem. Por sua vez, o adulto descobre, sempre, cada vez mais meios, seja para comunicar sua intenção de uma maneira compreensível à criança, seja para adaptar sua atividade às necessidades expressas pela criança, seja para obter que a criança participe voluntariamente daquilo que lhe é proposto.
O desenvolvimento da função de comunicação, assegurado pela atividade comum compartilhada no decorrer dos cuidados, é facilitado pelo fato dos cuidados representarem uma série de ações que se repetem cotidianamente. Eles ocorrem com uma repetição de gestos similares, dentro de uma sucessão idêntica, acompanhados por palavras adequadas, quase que iguais, que sinalizam à criança a continuação previsível dos gestos do adulto e lhe permitem antecipar o gesto e o acontecimento posteriores. Isso a ajuda a não aceitar os cuidados de maneira passiva e, ao contrário, a prepara a ser parte ativa dos acontecimentos.

No decorrer dos cuidados corporais de boa qualidade, a compreensão está sempre presente, além da alegria mútua e de um diálogo corporal que corresponde à necessidade de segurança física da criança. A qualidade dos gestos do adulto tem um profundo impacto sobre o tônus, e pode-se dizer, sobre a “confiança corporal” da criança. A maneira com que o adulto lhe oferece seus gestos e acolhe os dela, lhe sugere que é ouvida e que sua pessoa é apreciada.

Segundo Winnicott, uma das angústias mais primitivas, e muito destrutiva, é a insegurança provocada por uma certa maneira de pegar ou de carregar o bebê. O termo ‘holding’, utilizado por Winnicott, engloba a maneira de carregar fisicamente, mas também tudo o que o entorno (o ambiente externo) lhe fornece ou forneceu anteriormente. Essa noção faz referência a uma relação espacial em três dimensões à qual o tempo se junta progressivamente.

Segurar bem uma criança é protegê-la dos perigos físicos, ter em conta a sensibilidade de sua pele, de sua audição, de sua visão, e de sua sensação de queda pela ação da gravidade. “Segurar” compreende todas as etapas sucessivas de cuidados que se adaptam dia após dia às mudanças da criança decorrentes de seu crescimento. Quando o bebê é levantado, carregado nos braços, colocado sobre os joelhos do adulto, colocado dentro da banheira, posto sobre o trocador ou em seu berço, etc.., deve ser absolutamente preservado da sensação de queda ou de quebra, desagregação e perda de equilíbrio.

IMPOTÂNCIA DA TECNICA DE CUIDADOS

Uma boa técnica de cuidados procura propiciar à criança o sentimento de segurança de ser pega e carregada por mãos firmes e ternas que lhe permita estar em um estado de relaxamento. Isso não significa um estado de hipotonia mas um estado de “relaxamento-tônico”, segundo Agnès Szanto. Para que fique relaxado e tonificado, o bebê deve ser levantado, segurado, carregado ou colocado sempre em uma posição que lhe seja familiar e na qual ele não precise se manter verticalmente.
De fato, para preservar o bebê da posição vertical, que atrapalha o seu equilíbrio, é necessário levantá-lo, carregá-lo, colocá-lo, virá-lo sempre em posição alongada, de modo que ele não passe, por si só, para a posição vertical. E mais, ele não deve ser pego ou carregado em uma postura mais desenvolvida do que já adquiriu, se ela não lhe dá ainda uma sensação de completa segurança. Quando ele é pego ou carregado, é necessário sustentá-lo de tal maneira que a maior superfície possível de seu corpo tenha um apoio firme. Quando o recém nascido é levantado ou carregado nos braços, toda a sua coluna vertebral tem necessidade de um apoio sólido e sua cabeça deve estar protegida contra o menor balanço. Ele deve ter a sensação de unidade das diferentes partes de seu corpo.
No nascimento, o estado natural é aquele de não-integração, mesmo dentro de um clima de bons cuidados, mas estes irão permitir que a integração se estabeleça. O sujeito passa de um estado não integrado a uma integração estruturada, e nesse estado a criança torna-se capaz de superar a angústia ligada à desintegração. Sem uma qualidade suficiente de cuidados, o jovem ser humano não tem nenhuma chance de ter um desenvolvimento normal. Uma boa técnica de cuidados previne as sensações de desintegração e de perda de contato entre a psique e o soma.

A falta de relação psique-soma engendra uma sensação de despersonalização. Há a necessidade de não mover a criança com gestos precipitados, mas sim procurar um contato visual, um diálogo vigoroso com ela, procurar preveni-la verbalmente de tudo que irá acontecer durante os cuidados, afim de que ela possa se preparar para os acontecimentos e, sobretudo, para qualquer mudança de posição das diferentes partes de seu corpo ou de seu corpo inteiro.
O adulto solicita uma participação ativa da criança em tudo o que acontece com ela, dentro de seu nível atual de competências. O adulto espera por alguns instantes os gestos da criança, ainda espontâneos, mais tarde voluntários, antes de executar sua ação com mãos sensíveis e delicadas.

CUIDADOS E ATITUDES PROFUNDAS DO ADULTO

A boa qualidade dos cuidados depende também da atitude autêntica do adulto: seu profundo interesse no bem-estar da criança, por todos os detalhes deste bem-estar, por todas as reações corporais, mímicas, tônicas e vocais do bebê, e sua tomada de consciência da importância dos cuidados e de suas conseqüências imediatas e distantes.

Para que os cuidados respondam às necessidades da criança, é essencial que ela possa sentir que é dela que se ocupam, de sua pessoa inteira, e não somente de seus órgãos, sua pele, suas nádegas, seu pênis ou estômago. Quando se limpam as orelhas ou se passa creme nas nádegas, o olhar direcionado e a palavra que lhe é endereçada exprimem que, se bem que o estado de sua pele, de seus cabelos ou de suas unhas sejam importantes, não somente eles interessam ao adulto, mas todo o seu bem-estar. Toda a sua pessoa é importante. Durante a refeição, o essencial não é se a quantidade de alimento consumida aumenta ou diminui, mas o importante é que ela, a criança que come, possa sentir o prazer de comer segundo seu apetite, descobrir o prazer dos bons sabores e a satisfação da saciedade.

Parar antes de executar um gesto, para dar à criança o tempo de exprimir aquilo que ela quer, sentir se a criança aceita ou não aquilo que lhe foi proposto, partir dos movimentos da criança para utilizá-los em tarefas que desejamos realizar, esperar o movimento da criança, permitindo agir em harmonia com seus movimentos. Nada deve ser imposto: possibilidades são oferecidas, propostas; a criança pode sentir que o adulto fica contente quando ela consegue fazer qualquer coisa, mas que também pode sentir-se aceita e apreciada sem ter feito nenhuma performance espetacular.
Nós sabermos que, durante a primeira infância, as necessidades corporais e as respostas a elas desempenham um papel primordial na relação da criança com ela mesma e com seu entorno (ambiente externo); por isso as futuras enfermeiras do Instituto Pikler são iniciadas na observação detalhada e aprendem uma técnica homogênea e coerente para poder propiciar os cuidados fundamentais ao desenvolvimento do bebê.

Nosso protocolo de gestos de cuidados básicos se ajusta às necessidades da criança e visa preservar seu bem-estar. Ele assegura ao adulto a segurança de um saber-fazer, evitando hesitações, improvisações e medo de esquecer alguma coisa importante. Ele dá, também, uma segurança à criança por sua previsibilidade: ele a protege contra os gestos e os acontecimentos imprevistos, mesmo se, dentro da coletividade, forem várias as pessoas que , uma de cada vez, lhe oferecem os cuidados.
Quando a enfermeira apreende e incorpora este protocolo, ela passa a ter uma participação corporal, gerada pela compreensão da importância da aproximação com o bebê, que lhe permite ser mais atenciosa e disponível aos sinais individuais de cada criança.

Mas tal protocolo de gestos não é suficiente para garantir bons cuidados. Ele comporta, também, alguns riscos. Se a aplicação dos gestos aprendidos não for sustentada por uma atitude atenta, observadora, pessoal e calorosa, pode-se cair facilmente nas armadilhas dos comportamentos vazios, de rotinas caricatas e em treinamentos ou condicionamentos da criança a uma falsa participação. Neste caso, o bebê não experimenta sua competência, a experiência de saber agir com o outro, mesmo se dá a impressão de cooperar.

Ao contrário, o bebê verdadeiramente participante nos cuidados coopera com a alegria de “eu faço por mim mesmo”. Ele se dá o direito de reagir de maneira adequada às demandas dos adultos, mas também de desviar delas de vez em quando, brincando, se desligando dos cuidados para se ocupar de qualquer outra coisa, de desviar a atenção do adulto para outra coisa. E o adulto que coopera permite esse tipo de manifestação dentro do limite do possível.
A saúde mental de um indivíduo se edifica sobre os cuidados infantis cuja importância foi enfatizada. Quando tudo vai bem, os cuidados são a continuação aos aportes psicológicos característicos do período pré-natal, e a criança nem se apercebe se algo lhe é ofertado de modo não tão conveniente, pois está preservada. Mas se houver carência nos cuidados que lhe são dados, a criança se dá conta, não da falta de cuidados, mas do mal estar que isso lhe proporciona.

É necessário evocar um outro aspecto dos cuidados corporais cuja importância é indiscutível, o que diz respeito aos estímulos táteis e de contatos físicos entre a criança e o adulto, suscitados pelos cuidados. Acreditamos frequentemente que esses contatos se limitam a pegar a criança nos braços, sobre os joelhos, a acariciá-la. Pensamos menos nos outros contatos corporais também importantes, senão mais, que são os contatos do adulto com o bebê para realizar os cuidados.

CONCLUSÃO

A propagação de métodos mais suaves no que concerne ao nascimento, ao parto, às tentativas para ajudar a comunicação primária entre a mãe e seu recém-nascido são iniciativas felizes. Mas se o que acontece à criança durante e imediatamente depois do nascimento é importante, aquilo que ela vive em seguida não é menos importante.
Se durante os cuidados com bebês, os gestos do adulto não são adequados e cheios de ternura, se forem indiferentes, rápidos e funcionais, se as mãos do adulto que pega, carrega a criança não lhe dão um sentimento de segurança, mas trazem logo angústia e insegurança, todos os conhecimentos técnicos e toda a destreza profissional não impedirão a criança de viver esse contato com desprazer. Os cuidados e o contato corporal constituirão para ela não uma fonte de alegria, mas sim de angústia e de insegurança. Isso não é sem conseqüências para um bebê que se desenvolve no campo da família, mas ganha importância particular dentro das coletividades, creches, enfermarias, hospitais, abrigos, onde há menos possibilidades de compensação que dentro de uma família.
Se um adulto quer precipitar, acelerar a refeição, a troca, o vestir ou o banho, a criança não somente sentirá o caráter fisicamente desagradável dos gestos rápidos, bruscos e mecânicos, mas também o tempo que ela passa com o adulto não dará nenhum prazer, a nenhum dos parceiros.
Por suas experiências ao longo dos primeiros meses e anos da vida, a jovem criança constrói a imagem de seu corpo, que pode influenciar profundamente seu futuro. Sua personalidade, a imagem que tem de si mesma, o desenvolvimento de sua auto-estima, a integração de seu papel sexual, e mais tarde de seu comportamento de adulto e de pais, serão influenciados pelos cuidados que recebeu durante a infância. Cada carência, mesmo episódica, dentro dos cuidados, provoca uma interrupção do sentimento de continuidade de ser, e por conseqüência, por um enfraquecimento do “eu”. É a qualidade dos cuidados, de seu caráter agradável ou desagradável , do prazer e do desprazer experimentado pela criança e pelo adulto que se ocupa de seu corpo, que dependerá a percepção de seu próprio corpo, de suas funções e das experiências que irão se incorporar.
Se o objetivo do adulto é a cooperação com a criança, ele permite a ela ter experiências de mutualidade, elaborá-las , o que contribui para a construção e ao fortalecimento de si mesma. Esses cuidados de boa qualidade conduzem a criança ao que podemos chamar de um “estado de unidade”, a criança torna-se uma pessoa, um indivíduo. Segundo Winnicott, esse “estado de unidade” favorece a emergência do seu sentimento de existência psicossomática e a engaja em um desenvolvimento pessoal único.

"Porque nesse século em que aprendemos tudo sobre como destruir o indivíduo, raros são os lugares como esse em que é possível ajudá-lo a se construir"

Trecho do documentário :Lóczy, une Maison pour grandir" do Bernard Martino


Retirado na integra: Saúde e Bem Estar na Educação Infantil Creches e Pre Escolas 
Professora Damaris Maranhão

https://www.facebook.com/SaudeEBemEstarNaEducacaoInfantilCrechesEPreEscolas?directed_target_id=322211387885701