domingo, 26 de agosto de 2012

Boa leitura.

Olá pessoal,
ao final da leitura do Livro "Interações: ser professor de bebês - cuidar, educar e brincar uma única ação" venho compartilhar minhas impressões.
 
Bom, escolhemos um livro a partir de diversos elementos e esta escolha é pessoal: capa, título, tema, autor, nº de páginas, ilustrações, preço... eu escolhi pela autora: Cisele Ortiz, muito conhecida pelos apaixonados pela Educação Infantil como eu. Referencio também à Maria Teresa, afinal deve ser competente como a Cisele e assim parceiras nesta produção.
Quando descobri na net o livro recém lançado logo comprei, afinal sabia da qualidade da abordagem e não enganei.
Uma bela produção, textos com linguagem clara, objetivos e pontuais no que diz respeito ao trabalho com os bebês.
Socializando alguns trechos:
O espaço do bebê hoje
Relatos da trajetória das creches no Brasil, os sentimentos das famílias em relação à opção de deixar seus filhos na creche, a ideia do jardim de Infância disseminada por Frederich Froebel e os avanços na legislação garantindo esse direito às crianças e famílias brasileiras. 
As primeiras relações - uma questão crucial para o bebê
Neste capítulo aborda as relações dos bebês e inicia com um belo e significativo trecho:
"Quando falamos de bebê, falamos sempre de mais alguém, aquele com quem o bebê está, aquele que para ele olha e que dele ocupa, pois ele é incapaz de sobreviver sozinho. Esta é uma realidade da qual devemos partir para pensar na criança em seus primeiros meses e anos de vida: existe sempre um outro do Bebê."
Sábias palavras, afinal são elas, as professoras que servem como mediadoras na apresentação deste mundo de cores, sabores, aromas, texturas, sons ...
Um alguém de muita importância:
"Este "Alguém" é mais do que aquele que põe e tira o bebê do lugar,
que troca, alimenta, conversa e brinca.
É alguém que tem funções importantes na constituição psíquica
para o desenvolvimento da criança."
No decorrer do texto, aborda a importância da creche na vida do bebê como um elemento que atua na constituição da criança.
A importância do acolhimento ao iniciar a vida fora de casa
"A adaptação deve ser vivida como um momento de transição:
da passagem do conhecido para o tempo de conhecer,
para o tempo de se apropriar do novo, ou seja, tornar seu o que ainda é estranho."
Neste capítulo a abordagem nos dá elementos para pensarmos sobre a forma que estamos acolhendo nossos bebês. O espaço, as expressões, as falas, os objetos de apego, as relações entre pais e educadores.  Nos apresenta etapas e estratégias para tornar este momento mais tranquilo.
Organização dos ambientes para os bebês - o olhar atento
"A importância da organização do ambiente não apenas entendido como espaço físico,
mas humano, que ofereça condições de desenvolvimento para as crianças pequenas,
necessita ser repensada."
Algumas questões são colocadas e nos faz pensar sobre os espaços que temos e como são organizados:
"Seria o espaço apenas um cenário?
De que maneira ele é percebido pelas crianças e pelos adultos?"
 
Finaliza o subcapítulo com um trecho bastante significativo:
"Qualquer que seja o espaço destinado às crianças pequenas,
muito podemos fazer para torná-lo mais confortável e adequado às experiências infantis."
Nas próximas páginas, aborda as especificidades do lugar dos bebês, a concepção que a professora organiza este espaço, como ela o pensa, quais os elementos que o compõe. Aborda também a construção da identidade pessoal das crianças, a importância de promover a competência para chegar à conquista da autonomia, as oportunidades de crescimento através da diversidade de ambientes e estímulos diversos, a sensação de segurança e de confiança através dos diversos desafios planejados no espaço, as oportunidades para contato pessoal e privacidade nos espaços da sala, a decoração a partir da dimensão funcional e física. Apresenta propostas sobre o que deve ter as paredes da sala e o risco de excesso de informação, a integração cuidados/saúde fazendo pontuações importantes sobre os cuidados com a higiene, o bem estar, a troca de fraldas e a relação olho no olho e por fim a importância do contato das crianças com os elementos da natureza para a constituição dos sentidos. Muitas dicas importantes e reais para o trabalho com os pequenos.
Rotina de cada criança, de grupo, de creche - possibilidades de conciliação
Aqui nos fala sobre os desafios dessa adaptação na rotina de modo a atender a todos: crianças, pais e instituição. Relatos de uma rotina nos ajuda a pensar sobre nossas posturas, formas de organização, a maneira como recebemos os pais e crianças e a partir dessa análise pensar:
"Como fazer para construir uma proposta educativa adequada à faixa etária?
O que os educadores precisam saber sobre as crianças pequenas?"
 E os bebês... brincam!
Neste capítulo faz-se uma abordagem sobre o brincar a partir da seguinte indagação: "E os bebês, brincam de quê?". Discute-se as diversas formas de brincadeiras dos bebês e a presença do adulto neste cenário, qual o seu papel e como ele pode ajudar as crianças nesta aventura de descobrir o mundo. Cita objetos importantes ao cenário do brincar, a experimentação, as brincadeiras com água e  ajuda os professores a pensar sobre seus medos em relação às queixas das mães. Reafirma a importância da observação e registro nos momentos da brincadeiras e traz uma série de sugestões sobre espaços e materiais que podem ser trabalhados com os bebês.
E os bebês... falam!
A comunicação oral como construtora do pensamento, da interação com o outro e com a cultura.
Neste traz diferentes contribuições teóricas sobre o a construção da fala. Faz pontuações significativas sobre a importância da interação como base para a construção do pensamento e linguagem, a importância do ambiente rico em interações verbais, ressalta a necessidade dos diálogos individuais com os bebês, uma rotina que garanta tempos para roda de conversas e diálogos e finaliza reafirmando a importância da leitura e dos contos.
Acompanhando as aprendizagens e o desenvolvimento das crianças
 
Muitas pontuações sobre a necessária tarefa de observar, de avaliar e acompanhar o desenvolvimento dos bebês. Fala também sobre o papel do coordenador pedagógico como formador de seus professores e da avaliação citando os Indicadores de Qualidade da Educação Infantil dentre outros.
Sugestão aos professores
Este capítulo fecha com chave de ouro trazendo sugestões aos professores em vários eixos de trabalho com os bebês. São diversas páginas com sugestão de materiais, receitas, suportes, técnicas, músicas, instrumentos musicais, materiais de largo alcance para as brincadeiras, livros de histórias, filmes e livros para estudo, documentos oficiais, revistas, blogs e sites informativos. Tudo para enriquecer ainda mais o repertório de trabalho dos professores de Bebês.
Então, uma boa leitura! 

sábado, 25 de agosto de 2012

Dia Nacional de Educação Infantil.

Em abril deste ano a presidente Dilma Roussef sancionou a lei que institui a data de 25 de agosto como o dia Nacional da Educação Infantil. Este é o primeiro ano que o país contará com uma Semana Nacional de Educação Infantil para discutir a situação das crianças de 0 a 5 anos e 11 meses.  
 

domingo, 19 de agosto de 2012

4º encontro da Educação Infantil em Nova Lima: Criança Pequena: este é o nosso compromisso.

 Mais uma vez a Secretaria Municipal de Educação organizou um encontro para formação dos profissionais envolvidos com a Educação Infantil de nosso município.
O 4º encontro aconteceu na noite do dia 16 e manhã do dia 18 de agosto.
Como abertura do evento tivemos entre outras atividades a palestra da professora Rosalba que nos nutriu de grande sabedoria sobre a prática com as crianças pequenas. Iniciou sua fala indagando sobre "O que é ser criança? O que significa ser criança". A partir daí fez pontuações significativas que mexeram profundamente na prática de cada um que ali estava e que deixo registrado de forma resumida:
" A criança aprende com o corpo inteiro".
"Os hábitos alimentares são conteúdos na Educação Infantil. Assim, precisamos repensar nossas práticas".
"É preciso clareza sobre como a criança aprende e daí planejar o que vou trabalhar com ela."
Lançou outra questão ao grupo:
" O que estamos propondo às nossas crianças?"
Sobre a leitura, ela afirmou:
"Se não tenho tempo para leitura de histórias para as crianças porque tenho muita coisa para fazer, tem algo de errado nas escolhas que tenho feito para o trabalho com a criança."
E mais algumas pontuações:
"O maior volume de aprendizagens da criança se dá na Educação Infantil".
Falou também sobre o uso de desenhos prontos, painéis e espaços decorados a partir da perspectiva do adulto sem a participação das crianças, sobre o ensino preparatório para o ensino fundamental, da organização das crianças na sala e da disciplina.
No sábado, uma manhã recheada de boas opções de oficineiros. Socializo a seguir as duas oficinas da qual participei.
Possibilidades de trabalho com as crianças de 0 a 03 anos.
Educadora Márcia Cabral

Abriu a oficina cantando ao som de um tambor músicas conhecidas por muitas professoras:
Oh abre a roda tindolelê...
Vem dançar vem, requebrar. Vem fazer o corpo se mexer, acordar... 
A partir daí apresentou um repertório teórico e prático com as crianças pequenas, todas referência das a partir de sua experiência como coordenadora e estudiosa dos pequenos.
Dentre elas, deixo algumas registradas de forma resumida:
"O espaço e a sua organização provoca o olhar"
" O espaço como espelho de valores: mostra que educador sou e quais as minhas concepções."
"Na prática, não se preocupem com os desenhos prontos com as crianças pequenas, deixem que elas experimentem, explorem, criem. Trabalhar com desenhos prontos faz com que a criança perca a sua capacidade criadora.
A criança não precisa de desenhos prontos, mas precisa de referências. Passeios na área externa, gravuras, livros e revistas podem contribuir para nutrir as suas produções."
"O professor precisa ser sempre um pesquisador".
"O papel da escola é fazer as crianças felizes".
Foram muitas as sugestões de materiais que podem ser produzidos para o trabalho com as crianças, muitas possibilidades em materiais concretos expostos e imagens apresentadas.
Já 2ª oficina foi com a professora Bárbara Coura Mol nos trouxe muitas questões sobre a alfabetização e letramento reafirmando a necessidade de um trabalho tendo a criança como protagonista de suas aprendizagens.
Iniciou o encontro apresentando questões sobre o trabalho de leitura e escrita com as crianças pequenas e a partir das respostas do grupo deixou questões significativas que nos fez pensar em nossa prática com as crianças:
"As crianças aprendem a escrita da mesma forma que aprendem outros aspectos do mundo."
" O que importa na aprendizagem da escrita são as hipóteses das crianças tanto quanto o ambiente eo material."
"É importante nutrir as crianças de experiências, de possibilidades."
O mural da sala é revelador do processo e deve servir de consulta para as crianças. Ele deve estar de acordo com as conversas da turma."

Foram muitas as questões discutidas e dentre elas, a rotina. A professora reafirmou a importância da rotina nas turmas de crianças desde bem pequenas. Relatou sua experiência exemplificando:
Em turma de crianças de 01: uma caixa contendo objetos que representam cada momento do dia. A partir da fala da professora a criança vai até a caixa e retira o objeto que representa a atividade para a professora fixar em local visível e à altura das crianças. Sugeriu que se divida o quadro na parte de baixo com quadros e vá fixando os objetos com fita crepe.
Dependendo da turma, aos 03 anos já pode-se iniciar com desenho e escrita.
Turma de 05 anos: somente a escrita. Em todas as turmas a construção da rotina é diária. Com as turmas de 05 anos a professora a utiliza para intervir na construção da escrita e prepara diferentes desafios a partir do que conhece da turma.

Falou também sobre a organização das crianças na sala (para as crianças maiores) e da possibilidade de trabalhar diversos aspectos percebidos em relação à criança. Nos trouxe a seguinte sugestão:
Numera-se as mesas: 1, 2; 3; 4
Faz-se cartazes com os nomes das crianças em cada mesa para serem fixados na sala. As crianças tem que consultar onde ficarão. Para esta organização a professora utiliza-se de critérios que atenda a seus objetivos e estes não devem ser apenas para níveis de escrita como já se costuma fazer.

Sobre os combinados da turma ela falou da necessidade de serem construídos a partir das necessidades e que podem ser construídos em cartões com desenhos das crianças e escrita para serem manuseados pelas crianças quando necessário. Disse também que podem surgir um novo combinado a qualquer momento quebrando a ideia do cartaz de combinados elaborados e fixado na parede da sala durante todo o ano.
Apresentou vídeos que retratou bem as situações discutidas e enriqueceu nossa prática.

O que pensa uma educadora de Portugal sobre a Creche

PRINCÍPIOS EDUCATIVOS EM CRECHE
Segundo Gabriela Portugal

Um projecto para crianças muito pequenas que frequentam a creche é necessariamente educacional visto que, independentemente do contexto educativo, as crianças vão aprendendo e desenvolvendo-se devido às suas experiências diárias.
Na creche o principal não são as actividades planejadas, ainda que adequadas, mas sim as rotinas e os tempos de actividades livres. As crianças muito pequenas não se desenvolvem bem em ambientes “escolarizados”, onde realizam actividades em grupo dirigidas por um adulto, mas em contextos calorosos e atentos às suas necessidades individuais.
Os tempos por excelência de aprendizagem das crianças mais pequenas ocorrem durante interacções entre um adulto e a criança (tempos de cuidados à criança).
A creche, numa fusão constante de cuidados e educação, pode promover experiências na vida da criança, desenvolvendo e facilitando a sua aprendizagem através das interacções com o mundo físico e social.
Os bebés e as crianças muito pequenas precisam de atenção às suas necessidades físicas e psicológicas; uma relação com alguém em quem confiem; um ambiente seguro, saudável e adequado ao desenvolvimento; oportunidades para interagirem com outras crianças; liberdade para explorarem utilizando todos os seus sentidos.

Uma autora que diz muito sobre a criança pequena.


Maria Carmen Barbosa
Realizada em: 8/9/2009
Atuação: Professora adjunta da UFRGS
Obras: BARBOSA, M. C. S.; HORN, Maria da Graça Souza (Orgs.). Projetos pedagógicos na educação infantil. Porto Alegre: Artmed, 2007; Culturas escolares, culturas de infância e culturas familiares: as socializações e a escolarização no entretecer destas culturas. Educação e Sociedade, v. 28, p. 1059-1083, 2007; Por amor e por força: rotinas na educação infantil. Porto Alegre: Artmed, 2006.

Para quem ainda não se deu conta da importância do trabalho com as crianças pequenas e de uma proposta pedagógica que garanta um currículo de qualidade.


Educação de crianças em creches

A entrevistada participou do Convênio entre o MEC e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) na implementação das orientações curriculares para a educação de crianças em creches e a entrevista teve como foco esta temática:

O que o currículo para esta faixa etária deve contemplar?
Como é que o professor deve organizar a sua prática no trabalho com crianças de 0 a 3 anos?
Como analisar o currículo das crianças e a formação do educador?
Em relação às políticas públicas de atendimento à criança, o Brasil tem avançado na garantia dos direitos básicos a esta parcela da população que tem de 0 a 3 anos?
Algumas pesquisas apontam que apenas 3% das crianças nesta faixa etária estão matriculadas em creches públicas. O que explica esse percentual tão baixo no nosso país?
Ainda em relação ao acesso, os especialistas se dividem num ponto: a obrigatoriedade. Há aqueles que defendem a obrigatoriedade de frequência às creches e há outros que acreditam que a creche é um direito das crianças e um dever do Estado, mas cabe aos pais decidir se matriculam ou não seus filhos nestas instituições.
Salto – Você participou de um levantamento feito em vários municípios brasileiros, que contou com a participação de pesquisadores e representantes de movimentos sociais. Esse levantamento é fruto da parceria entre o MEC e a UFRGS, e tinha o objetivo de colaborar e de propor orientações curriculares para a Educação Infantil.
Como foi esse processo?
Maria Carmem – Esse processo foi muito intenso e interessante no ano passado, porque o MEC utilizou Universidades Federais, que são órgãos do próprio ministério, como parceiros num trabalho de cooperação técnica para fazer intervenções de diferentes sentidos. Junto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul também estavam a Universidade Federal de Santa Catarina e a Universidade Estadual de Ribeirão Preto. Em primeiro lugar, é importante analisar essa questão das propostas pedagógicas que estão em andamento em todo o país, atingindo crianças de todas as regiões, urbanizadas, rurais, indígenas. Fizemos contato com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, e um levantamento bem extenso de quais são os currículos que estão em andamento com as crianças. Também fizemos outra pesquisa, endereçada a pesquisadores de todo o Brasil, principalmente os envolvidos com crianças de 0 a 3 anos, porque as questões das pessoas do Estado de São Paulo não são as mesmas do Recife e, dessa forma, foi possível termos uma ideia da diversidade do país. Depois fizemos um trabalho de discussão desses levantamentos, de debate com a sociedade civil a respeito daquilo que foi encontrado. Tivemos mais de um encontro, também foram muito interessantes esses debates. E, a partir disso, escrevemos um relatório, que é o documento base para discutir a questão do currículo na Educação Infantil com ênfase nas crianças de 0 a 3 anos, porque o que encontramos nos currículos foi uma ênfase muito grande nas práticas pedagógicas com as crianças de 4, 5 e 6 anos. Parece que os currículos são endereçados a elas, e não apresentam o que é educar, num espaço educacional, bebês e crianças tão pequenas. Nós ainda temos um período muito longo de trabalho para preencher um pouco esse vazio. E esse texto começa a levantar algumas questões sobre isso.

Salto – Este documento já está focando essa faixa de 0 a 3 anos?
Maria Carmem – Com relação aos currículos ainda não. A pesquisa com os pesquisadores brasileiros, que trabalham em diferentes universidades, ou centros de pesquisas, esta sim teve a intenção de verificar como as crianças de 0 a 3 anos vêm sendo tratadas na Educação Infantil. Quais são as grandes questões que eles colocam sobre esse tema? A partir disso, esses dados foram sistematizados, organizados e nós começamos a experiência de debates com universidades, organizações da sociedade civil, também pessoal de gerenciamento, Secretarias Municipais de Educação, demais secretarias, Conselhos Municipais de Educação, para debater esse material. E a partir desse debate, foi formulado um documento síntese, uma vez que um documento de 100 páginas não contém a riqueza das discussões, mas tenta encaminhar algumas questões importantes para se tratar o tema do currículo na Educação Infantil. E um dos itens que ficou muito evidente é que os nossos currículos, os que estão em andamento hoje nos municípios, ainda têm uma visão muito focada nas crianças de 4, 5 e 6 anos e estão muito pouco focados na educação dos bebês e das crianças bem pequenas. Esta é um área que está muito recente no nosso país, está em construção a discussão do currículo para crianças tão pequenas.

Salto – A partir da elaboração desse relatório, desse documento síntese, virá uma etapa posterior à elaboração das orientações curriculares?
Maria Carmem – Ele é um documento que constrói uma base. E, a partir daí, vários outros são decorrentes dele. Uma deles se volta para uma melhor especificação de vários aspectos envolvidos com o currículo. O outro, ele está servindo como base para a discussão das novas Diretrizes Curriculares para a Educação Infantil, que é uma Lei Federal que trata desse tema. Então, este documento tem sido a base para essas discussões.
Salto – Maria Carmem, começamos essa conversa falando de um documento atual, que são as Orientações Curriculares para a Educação Infantil, mas também é importante falar da trajetória. Hoje, é inegável considerar a importância das creches para as crianças de 0 a 3 anos e, também a importância da democratização do acesso a essas instituições. Mas nem sempre foi assim. Sabemos, por exemplo, que esta mentalidade, essa concepção que temos hoje se deve aos movimentos sociais, como o movimento feminista. Como você analisa esta trajetória da Educação Infantil no Brasil?Maria Carmem – A creche é uma instituição que surge na Europa, no século XIX, e chega ao Brasil com a característica de acolhimento das crianças pobres, órfãs. A creche inicia como uma instituição que tem como objetivo principal acolher as crianças enquanto as mães trabalham, esse é o percurso dela no século XIX. No século XX, a creche começa a ter outra função, e ela vai estar muito ligada a dois movimentos sociais: o movimento feminista, que vai surgir no século XX, com muita força na questão do voto, na discussão de direitos. E o movimento operário, as mulheres que participavam do movimento operário – no qual havia anarquistas, socialistas – discutindo a questão da igualdade entre homens e mulheres. Então, essa é uma formulação que faz com que esse equipamento deixe de ser só assistencial para ser um equipamento social, uma necessidade social das mulheres e dos homens que trabalham e que querem exercer sua maternidade ou paternidade, numa sociedade em que as pessoas trabalham por cerca de oito horas por dia. É necessário ter pessoas que cuidem das crianças, que estejam com as crianças, e que complementem o trabalho educativo com as crianças. Bem, a questão do financiamento da creche, até hoje, nos outros países, está vinculado à igualdade entre homens e mulheres. É uma política de igualdade, não é nenhuma política educacional, como aqui no nosso país. Ela é financiada para que homens e mulheres tenham as mesmas possibilidades na sua vida adulta produtiva. Esses dois movimentos – das mulheres feministas, discutindo os direitos em geral das mulheres, e o direito das mulheres trabalhadoras organizadas – são os movimentos que levaram a creche adiante e a transformaram nesse equipamento que nós temos hoje, que atende às crianças de 0 a 3 anos.
Salto – Por muito tempo as creches foram consideradas como o espaço ideal para que as mães deixassem seus filhos, para que fossem bem cuidados, bem tratados. Hoje, muita gente pensa dessa forma. E entre os educadores, o que se pensa? Como a creche é vista?
Maria Carmem – Esta tradição histórica da creche como lugar de cuidado é muito grande, e é uma cultura que não se modifica rapidamente. Então, as famílias, por exemplo, têm muita resistência à creche, por pensar que a creche só deve ser utilizada quando não tem nenhuma outra alternativa, principalmente as alternativas familiares – deixar com a tia, com alguém que cuide, que está próximo de casa. A nossa cultura ainda é assim. A creche é um equipamento muito urbano, que foi constituído junto da ampliação das cidades. Essa mudança de mentalidade é uma coisa que se faz lentamente. Na Educação Infantil, até mesmo no Brasil, nós vamos ver que até a década de 70, basicamente, as crianças que estão em creches são crianças de famílias muito pobres, em que as mães não encontram outra alternativa para seus filhos. É da década de 70 em diante que começa a luta por uma creche como espaço para todas as mulheres, independentemente de classe social, e é também quando grande parte das mulheres de classe média do nosso país começam a ir para o mercado de trabalho, tornam-se profissionais, e começam a ter a creche como apoio, porque é impossível desempenhar as duas funções ao mesmo tempo. Então, as mães precisaram e começaram a questionar e qualificar esse espaço. A creche começa a sair, no Brasil, dessa compreensão de lugar só de cuidado na década de 70, isso em termos de história é muito pouco tempo. Na década de 80, com a Constituição, e com tudo o que decorre das discussões sobre a infância, sobre a adolescência, sobre a questão da educação, é que se começa a discutir a creche não só como esse espaço em que a mulher deixa a criança para trabalhar, mas também como espaço em que as crianças podem ser educadas, um espaço público de educação coletiva de qualidade, isso como direito da criança. E não se pensa na educação da criança pequena só como uma educação privada, porque quando pensamos que a mãe educa a criança, pensamos que estamos fazendo o melhor para a criança. O problema é que, muitas vezes, essas mães não estão, por diferentes motivos, disponíveis para aquele cuidado intensivo da criança. Então, a gente sabe que no nosso país – isso apareceu muito na pesquisa – existe a questão da violência contra a criança pequena na família. Esse equipamento ajuda a equilibrar, um pouco, essa relação que pode ser ótima, a mãe e a criança, mas muitas vezes pode ser uma relação que não esteja bem, e que a creche pode ajudar aquela família a dar conta dessa criança. A creche tem uma função muito importante na educação das crianças, e também nessa parceria com as famílias, porque anteriormente as famílias tinham muitos apoios: avós próximos, tios, todo mundo sabia educar as crianças. E, atualmente, as famílias se sentem muito sozinhas, e contam com a creche como espaço para discutir, para ver a diversidade. Por exemplo: "Meu filho ainda não come alimento sólido". Na creche, esta mãe descobre que tem outras crianças que ainda não comem, ou que está na hora de começar, porque há outras crianças para comparar, e pais para conversar. E quando as famílias ficam muito fechadas, isso pode não ser muito bom para o desenvolvimento das crianças.
Salto – E como esse tempo que as crianças de 0 a 3 anos passam nas creches contribui para formação delas?
Maria Carmem – Contribui em muitos aspectos. Primeiro, o processo educacional vai ser feito por pessoas que passaram quatro anos estudando sobre crianças: a criança e suas relações sociais, a criança no seu desenvolvimento biológico, a criança no seu desenvolvimento neurológico. São pessoas que estão atualizadas com esse conhecimento. As crianças vão ser olhadas de uma forma diferente, não vão ser olhadas como seres frágeis, que não podem fazer as coisas. Ao contrário, os estudos contemporâneos nos mostram que as crianças pequenas são muito capazes e que, em geral, somos nós que não demandamos a elas desafios, oportunidades para se mostrarem capazes. Capazes em diferentes âmbitos: por exemplo, durante muito tempo se pensou que as crianças não enxergavam quando eram bebês, só tinham relação com outro adulto. Hoje as pesquisas evidenciam que os bebês, desde muito pequenos, interagem com outros bebês, observam os outros bebês, fazem coisas com outros bebês. As crianças têm capacidades que só aparecem no contexto social, se elas estiverem sozinhas em casa, cuidadas apenas por um adulto, dificilmente elas vão poder mostrar essas competências. Então, no campo das relações, no campo cognitivo, há os desafios que podem ser feitos com as crianças, propostas que começam desde o espaço que a gente organiza, que é uma organização própria para crianças, diferente da casa da gente, que é uma organização de família. É um outro jeito de pensar, contemplando as diferentes áreas da formação humana quanto ao ponto de vista físico, intelectual e relacional.
Salto – Maria Carmem, se ouvirmos o senso comum, sabemos que pode existir um estranhamento quando se pensa em currículo para trabalho com crianças de 0 a 3 anos. Quando se pensa em creche, pensa-se naquelas imagens da "mãozinha pintada de tinta e carimbada no papel, lápis fazendo o contorno da própria mão ou da mão do colega"... Mas você relatou que há um trabalho de elaboração de orientações curriculares especificamente voltadas para essa fase de escolarização. O que se fala, o que se quer quando se pensa um currículo para Educação Infantil nessa faixa de 0 a 3 anos?
Maria Carmen – Para se pensar um currículo para crianças nessa faixa etária, a primeira questão é sair da ideia mais simples de currículo como uma seleção de disciplinas prontas, que o aluno vai aprender ao longo daquele percurso. Essa é a concepção mais senso comum de currículo. Na Educação Infantil, a concepção de currículo não pode ser essa. E eu dizia que essa concepção de currículo vem sendo problematizada até nas universidades. Por exemplo, quando, hoje, as universidades incluem atividades extras, cursos que os alunos fazem, trabalho de pesquisa, disciplinas eletivas, isso significa que a universidade está começando a sair dessa ideia de que o currículo é composto de cinco disciplinas por semestre, isso está abrindo. Essa discussão do currículo se torna muito pertinente no mundo contemporâneo, que é um mundo de diversidade. E na Educação Infantil, com crianças bem pequenas, nós vamos ter que trabalhar basicamente com três enfoques: o primeiro seria pensar em algumas práticas cotidianas, algumas atividades sociais e culturais que se faz com as crianças pequenas, como integrantes formais do currículo; por exemplo, nós sabemos que toda escola de Educação Infantil, quando trabalha com crianças de 0 a 3 anos, ensina as crianças a brincar, a se alimentar, a pintar, a fazer uma série de coisas. Mas, algumas práticas que se faz, principalmente aquelas relativas aos cuidados das crianças, não vêm sendo discutidas como área do conhecimento, como área de formação do professor, e elas ficam muito como ideias do senso comum. Ou seja, "se alimenta assim porque se alimenta assim", as professoras não discutem isso, não têm uma proposta pedagógica sobre isso, sobre como a nossa escola vê a questão da alimentação, como vamos ensinar as crianças a usar os talheres, se vamos usar, se as crianças vão usar talheres de plástico, se vão usar de vidro. Nada disso é discutido como currículo. Isso é um currículo oculto que a escola tem, que ela ensina, só que ela não discute, não reflete, não torna isso uma prática refletida na escola. Não enxergam isto como currículo, e para as crianças pequenas são experiências de uma intensidade enorme. Aprender a servir um copo d’água para uma criança pequena beber é um desafio motor, é um desafio social. Para elas, aprender a usar o copo é uma coisa muito importante: "se eu sei fazer isso eu sou grande", e nós não evidenciamos isso como currículo. O primeiro elemento seria pensar essas práticas sociais e culturais em todas as populações. Se pegarmos as populações indígenas, as mães estão lá, e os outros adultos da comunidade estão ensinando isso. Devemos pensar essas práticas como currículo. O segundo elemento seria pensar as linguagens, as linguagens expressivas dos seres humanos. Nós, como seres humanos, construímos diferentes linguagens simbólicas, e essas linguagens precisam ser transmitidas para as outras gerações, elas vão sendo apropriadas, sendo recriadas. As linguagens simbólicas são outra base do conhecimento curricular da Educação Infantil, e aí nós vamos ter uma série de linguagens. E o terceiro momento do currículo da Educação Infantil, que para mim é um momento que acontece a partir dos 4 anos, é o currículo ligado ao conhecimento científico, ao conhecimento tecnológico, mas é impossível pensar a educação das crianças pequenas sem pensar isso. Mas não devemos considerar que esses conhecimentos científicos e tecnológicos têm que ser trabalhados com as crianças muito pequenas. Porque nós vemos muitas coisas abusivas neste sentido, práticas que tiram, por exemplo, o tempo das crianças de brincar diferentes brincadeiras, e sentam as crianças de 3 anos querendo alfabetizá-las, porque esse é um conhecimento importante. É óbvio que é um conhecimento importante para qualquer pessoa que viva no século XXI, numa sociedade urbana. Só que, em outro momento da vida das crianças vai ser muito significativo, elas vão ter muito mais condições físicas e intelectuais de se confrontar com esse conhecimento. Então, há uma tendência muito grande hoje de antecipar esse conhecimento conceitual para as crianças pequenas e as crianças pequenas precisam de tempo e de outras experiências. Por muitas vezes, por ausência de um currículo, antecipa-se o currículo do Ensino Fundamental para as crianças muito pequenas, e isso é um equívoco do ponto de vista pedagógico.
Salto – Você falou de uma dessas bases da discussão sobre orientações curriculares para Educação Infantil, e citou as várias linguagens. Penso também na linguagem simbólica, de como ele fica relacionada às questões de valores dessa criança, e não só àquilo que o professor diz, mas àquilo que ele faz, à forma como ele age. Essa questão pode estar ligada a diversas outras questões importantes, quando você pensa a diversidade étnico-racial, por exemplo. Eu queria que você falasse um pouco a esse respeito.
Maria Carmem – As crianças bem pequenas aprendem muito estando junto com os adultos, fazendo coisas juntas. E grande parte da transmissão desses valores acontece nesse encontro entre adulto/criança, criança/outras crianças, na experiência da vida em grupo, de contatar com pessoas diferentes de você, aprender a interagir com essas diferenças. Nós temos dificuldades de reagir a elas, mas é muito importante que as crianças aprendam como. Exemplo: "Como eu respondo a uma criança, a um amigo, que vem e tira o brinquedo da minha mão? O que eu faço? Como eu respondo a isso?" Isso precisa ser transmitido pelos adultos, para as crianças, porque a primeira forma de responder a isso é uma forma corporal, que é uma das linguagens das crianças pequenas e nós vamos ter que ensiná-las a transformar o ato corporal em palavras. E esse processo de simbolização que as crianças do 0 a 3 anos estão fazendo é um pouco da passagem da natureza para a cultura. E ampliar esse universo simbólico é o grande papel dos adultos que estão junto com as crianças. É importante que elas construam linguagens em que possam expressar os seus sentimentos, os seus desejos, os seus pensamentos. Dar espaço para que isso aconteça, esse é um dos grandes focos da educação com as crianças de 0 a 3 anos. E tem muito a ver com isso o fato de estar junto e fazer coisas juntos, quando se aprende a fazer e, ao mesmo tempo, se aprende o ter, e o ser.
Salto – Falamos do currículo e do trabalho com crianças de 0 a 3 anos. E como você vê a relação desse currículo com o currículo da formação dos professores, dos profissionais que vão trabalhar com essas crianças?
Maria Carmem – Eu acho que a gente tem muitos problemas na concepção curricular da formação do professor da Educação Infantil. Primeiro, porque nós temos uma tradição. O curso de pedagogia surge no Brasil como um curso voltado para formação dos burocratas da educação – o supervisor, o orientador, o inspetor, o diretor – foi para esse profissional que o currículo da pedagogia foi constituído. Há pouco tempo, cerca de 15 anos, o professor era formado na Escola Normal. Atualmente, o professor é formado no curso de pedagogia, só que o curso de pedagogia não deixou de ter um certo espírito tecnocrático, ou um espírito de formação de um professor mais híbrido para vários aspectos da educação, pouco centrado na questão da escola, do cotidiano, do trabalho com a criança. Então, eu acho que o nosso currículo para professores da Educação Infantil ainda é muito pobre para quem vai trabalhar com criança. Podemos ver, por exemplo, um professor de Educação Infantil com no máximo uma disciplina sobre brinquedo e brincadeira. O brincar é uma das práticas sociais e culturais que todas as culturas fazem com suas crianças. O nosso repertório de brincadeiras no Brasil é riquíssimo, porque nós temos brincadeiras indígenas, brincadeiras africanas, brincadeiras europeias, temos um riqueza enorme. Mas nossos professores não aprendem essas brincadeiras na universidade. Quando eles têm um repertório, esse repertório é um repertório que eles criam com base na sua experiência quando criança, e que a cada geração vem se reduzindo. Por exemplo, as minhas alunas no curso de Pedagogia foram criadas em apartamentos, e em lugares onde ir para a rua é considerado perigoso. São jovens de 18 e 19 anos, que não viveram uma experiência lúdica rica, e elas chegam na universidade sem tê-la. E quando elas chegam na escola de Educação Infantil, em vez de ampliar o imaginário dessas crianças, elas ficam sem elementos para isso. Elas têm algumas discussões muito importantes na Faculdade de Educação, mas existem umas que são específicas da Educação Infantil, dessa transmissão cultural. Eu entraria em todas essas linguagens artísticas, que o curso de pedagogia tem muita dificuldade de incluir – a música, a literatura, as artes – tudo isso ainda é um número muito pequeno de horas na formação do professor. E eu acho que realmente nós temos que fazer uma revisão das Diretrizes Curriculares do curso de Pedagogia, e estabelecer que vamos ter um curso de formação mais teórico, político e social, uma concepção ampliada de educação, ou vamos ter cursos mais focados em determinados aspectos, um curso mais voltado para a Educação Infantil, outro para a educação social. Nós temos que tomar uma decisão nesse país, de quais são as nossas necessidades, e formar um bom professor para isto. Temos optado pelo generalista, como se a formação posterior pudesse ser mais especializada. O problema é que na Educação Infantil nós ainda temos um número imenso de profissionais do Ensino Fundamental, um número imenso de profissionais sem Ensino Médio, e poucos profissionais com curso superior. Então, esse curso superior precisa ser focado na Educação Infantil.
Salto – Ao analisar o panorama da política de educação brasileira para as crianças de 0 a 3 anos, temos que considerar duas polêmicas que estão em discussão quando se pensa a Educação Infantil para as crianças dessa faixa etária. Uma diz respeito à obrigatoriedade do acesso: alguns especialistas dizem que o acesso às creches deveria ser obrigatório, outros são contra essa obrigatoriedade, argumentam que deve ser um direito das crianças o acesso às creches, mas que deve ser uma escolha dos pais matricular ou não seus filhos nas creches. A outra diz respeito ao financiamento – na época da aprovação do Fundeb houve um movimento de crianças – os "fraldinhas pintadas" – que foram até Brasília, pedindo que essa etapa da escolarização fosse incluída no processo de financiamento. Financiamento que seria decorrente dos recursos providos pelo Fundeb. Analisando essas questões, o Brasil tem avançado no campo das políticas voltadas para as crianças de 0 a 3 anos de idade?
Maria Carmem – Eu acho que a Educação Infantil no Brasil vem avançando muito, especialmente de 0 a 3 anos, nos últimos 15 anos. Nós temos tido um olhar maior sobre essa instituição, na medida em que nós conseguimos fazer com que estas instituições viessem para o âmbito da educação, não fossem vistas só como equipamento de assistência social, mas como equipamento educativo. Isso ajuda a mudar uma cultura, as pessoas veem aquilo como uma escola e não como um lugar para deixar as crianças, isso muda o sentido. E estamos avançando em políticas específicas. Por exemplo, ano passado, pela primeira vez, crianças de 0 a 3 anos foram contempladas nas políticas dos livros infantis que vão para as bibliotecas das escolas. Estamos fazendo pequenos ganhos com relação à Educação Infantil. Eu acho que eles precisam ser mais intensos, para que a gente possa ter condições de oferecer um maior número de vagas. Hoje nós temos um desequilíbrio muito grande entre oferta de vagas para crianças de 4, 5 e 6 anos e crianças bem pequenas. Mas eu acho que, na medida em que a gente for oferecendo vagas, essa cultura das crianças menores irem para a escola vai se instaurando. Em relação às duas polêmicas, o financiamento é crucial, e nós tivemos ganhos. A entrada das crianças pequenas no Fundeb é muito importante, mas ele faz que se mantenha o quadro atual e não que se qualifique. E, realmente, nesse momento do Brasil, nós precisávamos de um investimento muito maior para expandir o número de vagas, para qualificar os espaços educacionais, e qualificar também os professores. Temos então três desafios muito grandes e o financiamento ainda é muito escasso. Temos conquistas, mas também um grande desafio, que é que o Estado assuma isso como uma prioridade, como uma necessidade de investimento. E sabemos que, do ponto de vista social e econômico, o investimento nas crianças pequenas realmente traz frutos futuros. Se investirmos mais na Educação Infantil, alguns problemas do Ensino Fundamental talvez não sejam tão graves como são hoje, é importante a gente ter em conta isso. Agora, eu sou contrária à questão da obrigatoriedade. Acho que é claro que está nos documentos legais, que é dever do Estado oferecer vagas para quem quiser, e isso tinha que ser cumprido. E aí nós temos tido ações fortes do Ministério Público fazendo com que as prefeituras assumam isso que já está na Lei. Eu acho que obrigar as famílias a colocar na escola é outra coisa. Nós temos famílias de zona rural, como é que se coloca uma criança de 3, 4 anos na Kombi para ir à escola? A criança vai viajar 60 km para ir para a escola, não faz sentido. E quando se torna obrigatório, algumas pessoas pensam que isso é uma estratégia. Tornar obrigatório é uma estratégia para que o Estado cumpra seu dever, mas eu acho que temos que ter outras estratégias para isto, e não usar as crianças ou a obrigatoriedade no sentido de fazer com que o Estado cumpra seu dever. Eu acho que isso é uma opção das famílias, e na medida em que as escolas forem muitas, e forem de boa qualidade, as famílias vão ter confiança nas escolas e vão levar as crianças, não precisa ser algo obrigatório. Porque a expansão rápida da obrigatoriedade pode nos levar a ter muitas instituições de baixa qualidade, e não é isso que queremos para as crianças. Nós ainda não conseguimos chegar a uma boa qualidade no Brasil como um todo na Educação Infantil, nós estamos ainda lutando, temos agora os novos indicadores de qualidade, temos uma série de políticas que tentam qualificar, mas ainda temos espaços muito precários. É preciso tirar esses espaços da sua precariedade, trabalhar principalmente as creches muito pobres, que estão localizadas na periferia, que são comunitárias. Temos algumas maravilhosas, mas há algumas que não têm realmente infraestrutura. Então, vamos melhorar isso, ampliar o serviço. Mas, eu acho que a obrigatoriedade, neste momento histórico, não tem o menor sentido na educação brasileira.

Boa leitura.


Em uma de minhas andanças pelos blogs descobri esta indicação de leitura que me conquistou por falar de direitos das crianças a coisas tão simples e que vem perdendo espaço na rotina maluca de nossos dias. Compartilho com vocês partes do texto e minha curiosidade.
 
Livro de Pedro Strecht “Crescer Vazio: repercussões psíquicas do abandono, negligência e maus tratos em crianças e adolescentes.
 
Alguns direitos / Muitas ingenuidades das crianças.
Todas as crianças com mais de cinco anos têm direito a desabafar. Todas as crianças até aos onze ou doze anos têm direito a andar grátis no Carrocel quando estão de férias. Todas as crianças que andam na Escola têm direito a serem alegres, terem amigos e a brincarem com os outros. Têm direito a ter uma Professora que não grite com elas. Todas as crianças têm direito a ver o mar verdadeiro, especialmente em dia de maré vazia. Todas as crianças têm direito a, pelo menos uma vez na vida, escolher um chocolate que lhes apeteça. Todas as crianças têm direito a terem orgulho na sua existência.
Todas as crianças têm direito a pensar e a sentir como lhes manda o coração, até serem velhas, aí com uns vinte anos. Todas as crianças têm direito a terem em casa o Pai e a Mãe, os irmãos, se houver, e comida. Se o Pai e Mãe não conseguirem viver juntos têm direito a que cada um deles respeite o outro. Todas as crianças têm direito a deitarem-se no chão para ver as nuvens passar, imaginando formas de todos os bichos do Mundo combinadas com as coisas que quiserem (por exemplo, um cão a andar de patins ou uma girafa de orelhas compridas). Todas as crianças têm direito a começarem uma colecção não interessa de quê. Todas as crianças têm direito a chupar o dedo indicador que espetaram num bolo acabado de fazer ou então lamber a colher com que raparam a taça em que ele foi feito. tumblr_lfygokei9g1qgil3lo1_500_thumb
Todas as crianças têm direito a tentarem manter-se acordadas até tarde numa noite de Verão, na esperança de verem uma estrela cadente e pedirem três desejos (a justiça devia fazer acontecer sempre pelo menos um).
Todas as crianças têm direito a escrever ou a falar uma linguagem inventada por elas (ou que julgam inventada por elas), como por exemplo a «linguagem dos pês»: «apalinpingupuapagempem dospos pêspês». Todas as crianças têm direito a imaginar o que vão querer fazer quando forem grandes (habitualmente coisas extravagantes) e a perguntar aos adultos «o que queres ser quando fores pequenino?». Todas as crianças têm direito a dormir numa cama sua, sentindo o cheiro da roupa lavada, e a terem um espaço próprio na casa, pelo menos a partir do ano de idade. Todas as crianças têm direito a passear na rua tentando pisar apenas o empedrado branco (ou só o preto); em opção, têm direito a fazer uma viagem contando quantos carros vermelhos passam na faixa contrária. Todas as crianças meninos têm direito a, pelo menos uma vez na vida, perguntar a uma menina «queres ser a minha namorada?» e todas as meninas têm direito a, pelo menos uma vez na vida, responder, «sim, quero». Todas as crianças têm direito a ouvir um adulto contar pelo menos uma destas histórias: Peter Pan, o Principezinho ou o Príncipe Feliz. Todas as crianças têm direito a ter alegria suficiente para imaginar coisas boas antes de dormirem e depois, a sonhar com elas. Todas as crianças têm direito a ter um boneco de peluche preferido, especialmente quando velho, já lavado e mesmo com um olho a menos. Todas as crianças (especialmente se já adolescentes) têm direito a usar os ténis preferidos, mesmo que rotos e com cheiro tóxico. Todas as crianças têm direito a poder tomar banho sozinhas e a experimentar mergulhar na banheira contando o tempo que aguentam sem respirar. Todas as crianças têm direito a jogar aos polícias e ladrões, preferindo inevitavelmente serem ladrões. Todas as crianças têm direito a ter um colo onde se possam sentar, enroscar como numa concha e receber mimos. Todas as crianças têm direito a nascer iguais em direitos. Todas as crianças têm direito a conhecer o sítio onde nasceram e a visitá-lo livremente. Todas as crianças têm direito a não ficarem sozinhas a chorar. Todas as crianças têm direito a viver num País que tenha um Ministério da Infância e Juventude, que olhe verdadeiramente pelo crescimento afectivo e bem-estar interior (sem preconceitos adultocêntricos ou hipocrisias com ares de cromo abrilhantado). Todas as crianças têm direito a acreditar que têm um adulto que olha por elas e as ama sem condição prévia (nem que seja Nosso Senhor).

Todas as crianças têm direito a viver felizes e a ter paz nos seus pensamentos e sentimentos.
Retirado de http://maustratosnainfancia.wordpress.com/2011/08/26/alguns-direitos-das-criancas-pedro-strecht/
Publicado por http://saladaines.blogspot.com.br/

Criança Autista, um desafio para a própria criança.

Dez coisas que toda criança com autismo gostaria que você soubesse

Por Ellen Nottohm
(tradução livre - Andréa Simon)

1) Antes de tudo eu sou uma criança.

Eu tenho Autismo. Eu não sou somente "Autista". O meu autismo é só um aspecto do meu carácter. Não me define como pessoa. Você é uma pessoa com pensamentos, sentimentos e talentos. Ou você é somente gordo, magro, alto, baixo, míope. Talvez estas sejam algumas coisas que eu perceba quando conhecer você, mas isso não é necessariamente o que você é. Sendo um adulto, você tem algum controle de como se auto-define. Se quer excluir uma característica, pode se expressar de maneira diferente. Sendo criança eu ainda estou descobrindo. Nem você ou eu podemos saber do que eu sou capaz. Definir-me somente por uma característica, acaba-se correndo o risco
de manter expectativas que serão pequenas para mim. E se eu sinto que você acha que não posso fazer algo, a minha resposta naturalmente será: Para que tentar?

2) A minha percepção sensorial é desordenada.

Interacção sensorial pode ser o aspecto mais difícil para se compreender o autismo. Quer dizer que sentidos ordinários como audição, olfacto, paladar, toque, sensações que passam desapercebidas no seu dia-a-dia podem ser dolorosas para mim. O ambiente em que eu vivo pode ser hostil para mim. Eu posso parecer distraído ou em outro planeta, mas eu só estou tentando me defender. Vou explicar o porquê uma simples ida ao mercado pode ser um inferno para mim: a minha audição pode ser muito sensível. Muitas pessoas podem estar falando ao mesmo tempo, música, anúncios, barulho da caixa registradora, telemóveis tocando, crianças chorando, pessoas tossindo, luzes fluorescentes. O meu cérebro não pode assimilar todas estas informações, provocando em mim uma perda de controle. O meu olfacto pode ser muito sensível. O peixe que está à venda na peixaria não está
fresco; a pessoa que está perto pode não ter tomado banho hoje; o bebê ao lado pode estar com uma fralda suja; o chão pode ter sido limpo com amônia. Eu não consigo separar os cheiros e começo a passar mal. Porque o meu sentido principal é o visual. Então, a visão pode ser o primeiro sentido a ser super-estimulado. A luz fluorescente não é somente muito brilhante, ela pisca e pode fazer um barulho. O quarto parece pulsar e isso machuca os meus olhos. Esta pulsação da luz cobre tudo e distorce o que estou vendo. O espaço parece estar sempre mudando. Eu vejo um brilho na janela, são muitas coisas para que eu consiga me concentrar. O ventilador, as pessoas andando
de um lado para o outro... Tudo isso afecta os meus sentidos e agora eu não sei onde o meu corpo está neste espaço.

3) Por favor, lembre de distinguir entre não poder (eu não quero fazer) e eu não posso (eu não consigo fazer) Receber e expressar a linguagem e vocabulário pode ser muito difícil para mim.
 
Não é que eu não escute as frases. É que eu não te compreendo. Quando você me chama do outro lado do quarto, isto é o que eu escuto "BBBFFFZZZZSWERSRTDSRDTYFDYT João". Ao invés disso, venha falar comigo directamente com um vocabulário simples: "João, por favor, coloque o seu livro na estante. Está na hora de almoçar". Isso me diz o que você quer que eu faça e o que vai acontecer depois. Assim é mais fácil para compreender.

4) Eu sou um "pensador concreto" (CONCRETE THINKER). O meu pensamento é concreto, não consigo fazer abstracções.
Eu interpreto muito pouco o sentido oculto das palavras. É muito confuso para mim quando você diz "não enche o saco", quando o que você quer dizer é "não me aborreça". Não diga que "isso é moleza, é mamão com açúcar"quando não há nenhum a mamão com açúcar por perto e o que você quer dizer é que isso é algo fácil de fazer. Gírias, piadas, duplas intenções, paráfrases, indirectas, sarcasmo eu não compreendo.

5) Por favor, tenha paciência com o meu vocabulário limitado.

Dizer o que eu preciso é muito difícil para mim, quando não sei as palavras para descrever o que sinto. Posso estar com fome, frustrado, com medo e confuso, mas agora estas palavras estão além da minha capacidade, do que eu possa expressar. Por isso, preste atenção na linguagem do meu corpo (retracção, agitação ou outros sinais de que algo está errado).
Por um outro lado, posso parecer como um pequeno professor ou um artista de cinema dizendo palavras acima da minha capacidade na minha idade. Na verdade, são palavras que eu memorizei do mundo ao meu redor para compensar a minha deficiência na linguagem. Por que eu sei exactamente o que é esperado de mim como resposta quando alguém fala comigo. As palavras difíceis que de vez em quando falo podem vir de livros, TV, ou até mesmo serem palavras de outras pessoas. Isto é chamado de ECOLALIA. Não preciso compreender o contexto das palavras que estou usando. Eu só sei que devo dizer alguma coisa.

6) Eu sou muito orientado visualmente porque a linguagem é muito difícil para mim.
Por favor, mostre-me como fazer alguma coisa ao invés de simplesmente me dizer.
E, por favor, esteja preparado para me mostrar muitas vezes. Repetições consistentes ajudam-me a aprender. Um esquema visual ajuda-me durante o dia-a-dia. Alivia-me do stress de ter que lembrar o que vai acontecer. Ajuda-me a ter uma transição mais fácil entre uma actividade e outra. Ajuda-me a controlar o tempo, as minhas actividades e alcançar as suas expectativas. Eu não vou perder a necessidade de ter um esquema visual por estar crescendo. Mas o meu nível de representação pode mudar. Antes que eu possa ler, preciso de um esquema visual com fotografias ou desenhos simples. Com o meu crescimento, uma combinação de palavras e fotos pode ajudar mais tarde a conhecer as palavras.

7) Por favor, preste atenção e diga o que eu posso fazer ao invés de só dizer o que eu não posso fazer.

Como qualquer outro ser humano não posso aprender em um ambiente onde sempre me sinta inútil, que há algo errado comigo e que preciso de "CONSERTO". Para que tentar fazer alguma coisa nova quando sei que vou ser criticado?
Construtivamente ou não é uma coisa que vou evitar. Procure o meu potencial e você vai encontrar muitos! Terei mais que uma maneira para fazer as coisas.

8) Por favor, me ajude com as interacções sociais.

Pode parecer que não quero brincar com as outras crianças no parque, mas algumas vezes simplesmente não sei como começar uma conversa ou entrar na brincadeira. Se você pode encorajar outras crianças a me convidarem a jogar futebol ou brincar com carrinhos, talvez eu fique muito feliz por ser incluído. Eu sou melhor em brincadeiras que tenham actividades com estrutura começo-meio-fim. Não sei como "LER" expressão facial, linguagem corporal ou emoções de outras pessoas. Agradeço se você me ensinar como devo responder socialmente. Exemplo: Se eu rir quando Sandra cair do escorrega não é que eu ache engraçado. É que eu não sei como agir socialmente. Ensine-me a dizer: "você esta bem?".

9) Tente encontrar o que provoca a minha perda de controle.

Perda de controle, "chilique", birra, má-criação, escândalo, como você quiser chamar, eles são mais horríveis para mim do que para você. Eles acontecem porque um ou mais dos meus sentidos foi estimulado ao extremo. Se você conseguir descobrir o que causa a minha perda de controle, isso poderá ser prevenido - ou até evitado. Mantenha um diário de horas, lugares pessoas e actividades. Você encontrar uma sequência que pode parecer difícil no começo, mas, com certeza, vai conseguir. Tente lembrar que todo comportamento é uma forma de comunicação. Isso dirá a você o que as minhas palavras não podem dizer: como eu sinto o meu ambiente e o que está acontecendo dentro dele.

10) Se você é um membro da família me ame sem nenhuma condição.

Elimine pensamentos como "Se ele pelo menos pudesse…" ou "Porque ele não pode…" Você não conseguiu atender a todas as expectativas que os seus pais tinham para você e você não gostaria de ser sempre lembrado disso. Eu não escolhi ser autista. Mas lembre-se que isto está acontecendo comigo e não com você. Sem a sua ajuda as minhas hipóteses de alcançar uma vida adulta digna serão pequenas. Com o seu suporte e guia, a possibilidade é maior do que você pensa.
Eu prometo: EU VALHO A PENA.
E, finalmente três palavras mágicas: Paciência, Paciência, Paciência.
Ajuda a ver o meu autismo como uma habilidade diferente e não uma incapacidade. Olhe por cima do que você acha que seja uma limitação e veja o presente que o autismo me deu. Talvez seja verdade que eu não seja bom no contacto olho-no-olho e conversas, mas você notou que eu não minto, roubo em jogos, fofoco com as colegas de classe ou julgo outras pessoas? É verdade que eu não vou ser um Ronaldinho "Fenômeno" do futebol. Mas, com a minha capacidade de prestar atenção e de concentração no que me interessa, eu posso ser o próximo Einstein, Mozart ou Van Gogh (eles também tinham Autismo), uma possível resposta para Alzheimer, o enigma da vida extraterrestre, etc. - O que o futuro tem guardado para crianças autistas como eu, está no próprio futuro. Tudo que eu posso ser não vai acontecer sem você sendo a minha Base.
Pense sobre estas "regras" sociais e se elas não fazem sentido para mim, deixe de lado. Seja o meu protector seja o meu amigo e nós vamos ver ate onde eu posso ir.
CONTO COM VOCÊ!!!

Retirado do site: http://www.autimismo.com.br/

Hora da história. Que delícia!!!

Eu nunca na vida comerei tomate

Título: Eu nunca na vida comerei tomate
Autor: Lauren Child
Ilustrador: Lauren Child

Sinopse: Que se acuse quem sempre gostou de tomate (mas só vale se for mesmo desde criança). Não terão sido muitos os que se renderam logo às maravilhas daquele fruto (sim, não é um legume). Pois, com a pequena e difícil Lola acontece o mesmo. Não só com o tomate, mas com as ervilhas, as cenouras, os feijões e até com os douradinhos e o esparguete (que quase todas as crianças gostam). Quem vai acabar por zelar pela alimentação da menina será o seu imaginativo irmão Charlie, convencendo-a de que "as cenouras são gomas de laranja vindas de Júpiter"; que as ervilhas são "rebuçados de clorofila que caem do céu".

Vale a pena conferir, o pequenos vão adorar!!!

E você professora, qual o livro você está lendo?????

Ler...

"Certa vez, uma palestrante da área da Educação contou que, sempre quando começa uma fala sobre o papel do professor, inicia pedindo a cada ouvinte que escreva o título do livro que está lendo.
Essa mesma palestrante, considerando o fato de haver em seu público professores que não estão lendo livro algum, continua sua explanação pedindo, então, que escrevam o nome do último livro que eles leram.


O resultado é impressionante! Não podemos generalizar, mas a maioria não tem um título sequer para escrever...Como pode, nos dias atuais, haver professores em salas de aula, responsáveis pela educação de uma geração que poderá fazer a diferença daqui a alguns anos, sem estar lendo pelo menos um livro?
E você?

Faria um tratamento médico com um profissional que se formou há

mais de 10 anos e não se atualizou?

Porque?

Que riscos estaria correndo?
Entregaria suas unhas para uma manicure que aprendeu na prática o seu ofício e não sabe a necessidade de esterilizar seus instrumentos?
Porque? 
E quais seriam os seus riscos, nesse caso?

Com certeza, suas respostas às duas questões anteriores foram não.

E agora...

Você colocaria seu filho em uma escola em que o professor se

formou há algum tempo e não se atualizou mais?

Porque então os familiares das crianças sentiriam confiança em

deixar o que é mais importante para eles aos cuidados de

profissionais que não estão mais atualizados?"

                          Pense professora!